O mar e as suas lições

Fui caminhar no sábado para o pé do mar. Estava o céu cinzento e o mar com um ar levemente furioso. E fui caminhando nas calmas até chegar a um pedaço de praia onde me apercebi de como o mar estava irritado: a praia estava cheia de lixo, claramente devolvido pelo mar aos seus proprietários, nós. A praia estava cheia de garrafas, embalagens de detergentes e iogurtes, tubos, mangueiras, corda... Tudo ali, semi-enterrado na areia mas ainda assim muito visível e reconhecível e impossível de fingir que não se viu.
Não sou ambientalista fundamentalista. Acho as pessoas mais importantes que 3 pássaros ou que uma planta. Mas preocupa-me que destruamos o planeta, claro. E preocupa-me ainda mais a falta de respeito com que o tratamos. E aquele lixo era isso mesmo, a prova da nossa falta de respeito, a prova de que não nos importa o planeta nem os outros, a prova de que, para muitos, desde que eu já não veja o problema já não é meu.
A irritação do mar estragou-me a caminhada. Já não era possível olhar para o infinito e para as ondas da mesma maneira simples. E enquanto me lembrar daquela praia, não vai ser possível.

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