O que podia ter sido

The way it might have ended - the conclusion against which reality had decisively voted - was all he could think about. Stunned by how little he'd gotten over her and she'd gotten over him, he walked away understanding,  as outside his reading in classical Greek drama he'd never had to understand before,  how easily life can be one thing rather than another and how accidentally a destiny is made.... on the other hand, how accidental fate may seem when things can never turn out other than they do.

The Human Stain, Philip Roth

Ainda os livros

Já vos disse que este é o ano dos livros bons? Pois, provavelmente sim... Lamento. Mas é mesmo o ano dos livros bons! Descobri que a prateleira dos livros para ler estava cheia de coisas que fui comprando e algumas até tentei ler mas abandonei. Acho que os livros são como tudo... se começamos a ler mono-neurónicos, os mais exigentes parecem extraordinariamente difíceis depois. E habituamo-nos aquela coisa fácil, de visualização rápida, que não pede muito da imaginação nem da capacidade de concentração.
Nem sei bem porque começou a ser diferente. Acho que por ter percebido que precisava escrever inglês muito melhor. E os livros que me recomendaram eram bons e bem escritos. Escritos como eu gostava de saber escrever. Frases simples, claras e limpas. Depois disso, nem sei. O desafio de conseguir ler um difícil e ter com quem falar das frustrações que me provocava, o renascer do gosto da literatura boa, muito boa, o renascer do gosto pelas frases que descrevem almas. Ah, e convém não esquecer..... Apesar de nada bater uma livraria, daquelas que o são há muito tempo, cheia de livros bons que nos tentam a cada passo, com o cheiro a papel e a madeira, apesar de tudo isso, lamento mas existe uma coisa chamada Amazon. Que tem livros em segunda mão. E entregas gratuitas. E os livros em segunda mão nem parecem em segunda mão. E no final, 3 livros chegam a casa pelo preço que pagaria por um na livraria. É mau, eu sei. Mas eu gosto de livros. Ando esfomeada de livros. Espero que seja só uma fase (isto da Amazon, claro).

Tudo isto para vos dizer que hoje me apercebi está escrito em inglês de, alguma forma, da mesma forma que eu escrevo em português. Com estas frases sem verbos. Com cortes e às vezes com frases longas que nos fazem perder o fio à meada e começar do início porque o princípio da conversa já vai lá atrás. Tudo isto para vos dizer que estou a descobrir um sr. chamado Philip Roth e estou a adorar.

#11 - 22-07-2016

Ok, confesso, esta foto é batota. Tirei-a em Maio. Mas no mesmo lugar e com o mesmo espírito. (A de ontem ficou péssima... desfocada, sem cor, sem piadinha nenhuma). É verão por aqui. Ou melhor, não chove por aqui. E não chover tem uma consequência imediata: a hora de almoço torna-se tempo de peregrinação de meio mundo até ao parque. Lá vamos todos, com os nossos sacos de papel de uma qualquer cadeia de comida mais ou menos quase saudável, sentamos num banco ou na relva, conversamos um bocadinho e lagartamos. Sim, sol! Verde! Clorofila! Patos chatos! Tudo vale a pena para sair uns minutos do escritório e sentir que aproveitamos a nossa hora de almoço.
Ok, contado assim parece uma actividade estúpida. Se calhar é porque ainda me estou a habituar a este luxo de comer o almoço sentada na relva.

#10 - 21-07-2016

O dia foi cheio, não houve grandes oportunidades para ver coisas que me enchessem o olho. Os minutos que tive para mim foram na porta de embarque. E eu tentei, juro que tentei. Mas o que havia para ver eram pessoas (confesso que uma senhora tinha um chapéu que me tentou), a cadeira ao meu lado com o meu livro e os headphones e a carteira (mas quantas fotos se podem tirar disso?) e a vida para lá do vidro. Aviões que chegam, que saem, follow-me a passear de um lado para o outro e pouco mais. Havia o reflexo no vidro. E amigos, lamento, quando se faz um 365 nem todas as fotos conseguem ser giras e interessantes.

#9 - 20-07-2016

 Mind the gap. Cuidado com a abertura. Tenho ideia que se ouve menos hoje do que ouviria anos atrasa para ficar uma frase tão famosa. Mas gosto particularmente deste, na estação de Canning Town. Inscrito no chão, gasto, sujo, usado mas com um ar de "posso estar cansado mas desaparecer não desapareço".


Frases imperdíveis

I thought, He's found somebody he can talk with.... and then I thought,  So have I.  The moment a man starts to tell you about sex, he's telling you something about the two of you. Ninety percent of the time it doesn't happen,  and probably it's as well it doesn't, though if you can't get a level of candor on sec and you chose to behave instead as if this isn't ever on your mind, the male friendship is incomplete.

The human stain, Philip Roth

Mais uma volta no carrossel

Mais uma viagem nesta vida que é tão feita de malas e aviões.  Já me queixei demasiado sobre isso por isso nem vou começar.  Em vez disso, mostro-vos o pôr -do-sol sobre o Danúbio. 
Boa noite mundo!

#8 - 19-07-2016


Convenhamos, fotografia de avião não é coisa fácil. A sacaninha da asa aparece sempre no caminho. Mas hoje consegui vir mais à frente. Consegui vir largos minutos a ver um patchwork semi-desorganizado, semi-caótico. Inspiração para uma manta um dia, quem sabe...

#7 - 18-07-2016

Londres num dia de sol e calor. Londres numa altura em que as pessoas mudam, as sandálias saem à rua acompanhadas dos vestidinhos que estiveram escondidos todo o ano. Londres de gente com um ar mais feliz e mais saudável. Londres onde é bom viver. Bom dia mundo!

#6 - 17-07-2016

Se não os vences, junta-te a eles. Sol implica sair de casa, sentar num qualquer nico de relva e ler mais umas páginas de mais um grande livro. Nem sei bem como, mas este ano estão a passar-me pelas mãos muitos livros muito bons.

#5 - 16-07-2016

Companheiros de viagem, de férias, de todos os dias por aqui. Há coisas que se tornam assim uma extensão de nós, o nosso braço direito. O meu saco "preciso de um saco para levar o almoço e o café e o livro" tornou-se compincha da carteira "oh que bem que isto vai envelhecer". E a máquina nova ainda anda a ser experimentada.

#4 - 14-7-2016



John Updike é, há muitos anos, um dos meus autores favoritos. As personagens dele têm uma característica especial: não são únicas. São banais. Cheias de medos, prestações, mentiras, medos, superstições. Passam de felizes a miseráveis num abrir e fechar de olhos porque a luz entrou pela janela da maneira errada. São falsas, mentem, enganam, dizem a verdade. Mas eu gosto delas, exactamente por serem tão reais, tão frágeis na sua autenticidade e na sua força. Gosto delas porque me fazem lembrar que todos somos assim. 

#3 - 13-07-2016

A verdade é que a praia lhes pertence mais a elas que a nós....

#2 - 12-07-2016

O azul é a cor do Verão.

#1 - 365

Uma mesa bonita. Mesmo no pedaço com o azulejo partido.

E porque a vida anda a ser pouco documentada…

… decidi que está na hora de fazer mais um 365 fotográfico. O último (e primeiro) foi em Angola. Retratou mulheres a vender na rua, idas à praia, a cidade de Luanda. Férias e o espanto que me causava a normalidade de Portugal. Agora moro noutro lugar. Que tem uma beleza diferente, uma monumentalidade diferente mas que é, de alguma forma, também muito normal. Se calhar por isso tenho fotografado pouco. Porque os olhos já não se espantam como espantaram em tempos. O que é seguramente uma pena porque todos os dias algo nos deve espantar. Todos os dias há seguramente algo que chama o meu olhar. Ou devia chamar. Ou chamará seguramente se eu me decidir a isso. Por isso, minha gente, aqui vem novo 365. Vamos fazer isto de forma fácil: não prometo vir aqui todos os dias colocar fotografias (até porque, por exemplo, hoje estou a escrever isto sem net e por isso farei o upload quando fizer). Mas vou tentar tirar uma foto por dia. E fazê-la representar o meu mundo. O que pode ser que me inspire a dar um novo fôlego a este cantinho da blogosfera que tão abandonado tem andado. Não é por mal, é porque é. Porque todos nos calamos às vezes, apenas porque sim. Ou porque a blogosfera e o facebook e o instagram estão tão cheios de pensamentos (será?) e imagens (isso de certeza) que, afinal, que tenho eu a dizer? Mas isso também significa que estou a abandonar o que era o objectivo inicial deste blog: escrever para mim, irritar-me com o que me apetecesse. Por isso, durante um ano, posso escrever pouco mas vou fotografar os nadas dos dias banais. 



Brexit

Este, para mim, é um dia triste. Os ingleses que conheço e com quem falei deste assunto sao gente de mente aberta. Eram a favor do sim porque o mundo evolui e é mais aberto. Estavam conscientes dos problemas mas não  achavam que um Reino Unido isolado fosse uma coisa boa.
Eu confesso que andava um bocadinho irritada com a chantagem emocional que andava a ser feita mundo fora para eles ficarem. "Ah, se o Reino Unido sair vai ser mau para todos os outros países". Ninguém dizia o lado bom, ninguém dizia "queremos que eles fiquem porque somos parte de uma mesma construção".
Decidiram sair. E o meu primeiro pensamento foi egoísta, confesso. "Bolas, que raio, é a segunda vez que trabalho num país que não me quer lá!". E se em Angola ela fácil combater isto com um "pois, malta, não me querem mas a verdade é que precisam do meu conhecimento", isso agora não é verdade. Quantos milhares de Gestores da Qualidade qualificados existem? Realmente eles não precisam de mim.
O tempo dirá o que vai acontecer. Mas mais uma vez, o que me vem à cabeça, é que Portugal é um santo local à beira mar plantado que muitos desvalorizam mas que, para quem como eu tem andado, tem andado por fora, parece cada vez mais pacífico e interessante.

Viena



Viena corresponde às expectativas. Uma cidade linda, monumental, arejada. Um centro que se descobre facilmente e que nos faz andar a olhar para cima porque cada edifício é uma delícia.
Ao mesmo tempo, descobri uma cidade de gente descontraída, que bebe café como o nosso acompanhado de um copo de água.
Uma cidade onde visitei um amigo que está mais feliz do que o conhecia e que me mostrou a sua cidade com um sorriso nos lábios e um caminhar orgulhoso e simpático. Um amigo que, apesar de recente, sei que será para sempre alguém com quem porei a vida em dia sempre que a vida o permitir.
Obrigada pelo fim-de-semana Viena!

Viena

Sim, já sei, para que diabo fazes um post antes de teres as fotos? Nao  tenho, mas vou ter! Em vez de regressar a Londres para o fim-de-semana e me voltar a meter num avião para cá na segunda de madrugada, fico por aqui. Museus sao muitos, o tempo está bom, o centro da cidade é lindo, tenho uma lista de restaurantes fora do circuito turístico para experimentar e tenho, acima de tudo, aquela sensação de férias ou fim-de-semana de descoberta que me aguça a curiosidade e me faz bem à alma.
Bom fim-de-semana mundo!

A little british

Há sempre tantos clichés em cada país. Tantos clichés relacionados com a imagem que temos de cada país.
Inglaterra. Londres. Baker Street. Sherlock Holmes. Fish and chips. Cerveja. Verde da Escócia. Big Ben. Mind the gap. Steak and kidney pie.
Curiosamente, são coisas que normalmente não fazem parte do dia-a-dia. Bom, por acaso Londres faz mas não como a cidade que se visita nas férias, mas sim a cidade de carne e osso em que se vive todos os dias. A cidade em que se fazem amigos. Que um dia vão embora. E para quem vamos experimentar chapéus para oferecer.