Mas desde quando é que eu sou a pessoa certa para trocar os pneus dos outros?

Chamada de final de tarde:
Furei um pneu.
Sim, e então? Troca.
Mas eu não sei trocar pneus.
Já te ligo.
Como é óbvio, precisei contar até 100 para me acalmar. Não sabes trocar pneus? Um homem não sabe trocar pneus? E eu tenho de saber?
Mas o carro tem pneu sobresselente, certo? E macaco, certo?
Tem, mas eu não consigo sequer tirar o pneu da bagageira. Está preso.
Claro que está preso. Tem 1 parafuso grande e uma porca. Roda-se a porca e sai tudo.
Pede ajuda. Alguém há-de parar.
Pois...
Vou a caminho. 
E pronto, meti-me no carro, atravessei Lisboa de uma ponta à outra. Em hora de ponta. Tudo a sair no mesmo sentido que eu. Atravessei a ponte. Fiz km de auto-estrada.
Quando lá cheguei, o triângulo estava no lugar. A GNR já tinha parado.
Sou a colega que vem ajudar. 
Sim, já sabemos.
Alguma vez trocou um pneu?
Claro que sim!
Tira o resto da tralha da bagageira. O pneu saiu do nicho em 10 segundos.
Procura o apoio para o macaco. Quando dei por ela, estava um agente agarrado à chave a aliviar os parafusos.
Pode subir o macaco.
Dei furiosamente à manivela. Uma fúria que vinha do facto de eu ter de ter ido ao outro lado, trocar um pneu a um homem. Ajudada pela fúria de os meus planos de passar a noite em divertida cavaqueira terem ido todos pelo cano.
E o agente a trocar a roda.
Já chega. A roda já entra.
Quer ajuda para apontar os parafusos?
Pode descer o macaco.
Façam uma entrada cuidadosa na faixa. E é melhor verem o ar do pneu. Parece um bocado em baixo.
Sim Sr. Agente. Vamos parar na bomba. 
Os agentes foram embora antes que lhes pudesse agradecer decentemente. Acho que se apiedaram da miúda que tinha de trocar o pneu ao gajo que nem o consegue tirar da bagageira.
Meti a tralha toda na bagageira. Deitei fumo, tanto fumo, pelas orelhas durante o tempo todo que até me espanta que os bombeiros não tenham aparecido também.
Não me importo nada de ajudar as pessoas. Mas trocar um pneu? Trocar um pneu?

Como dizia o meu primeiro chefe...

Viver não custa. Custa é saber viver.

Lisboa


A danada da cidade consegue ser estupidamente bonita, que me desculpem os nortenhos.

Ainda as pessoas

Se calhar lembram-se que, há uns anos atrás, falei muito aqui de pessoas. A vida estava cheia de pessoas novas. Cada dia uma descoberta.
Isto das pessoas não é assim muito linear. Convenhamos, é fácil conhecer gente e fazer amigos no Liceu e na Faculdade. Crescemos juntos. Os mundos são mais ou menos semelhantes. Somos curiosos. Queremos sempre conhecer mais alguém.
Depois, esta sofreguidão abranda. Se calhar não para todos. Mas comigo aconteceu. De vez em quando, muito de vez em quando, a vida oferece uma pessoa nova. Um amigo novo. Angola deu-me alguns que vão ficar para sempre. Encontrados nos lugares e situações mais estranhas e quando menos esperamos. Mas às vezes os meses passam. Ficamos pelos lugares do costume. Com as pessoas do costume. Pessoas que nos conhecem, que nos fazem falta, de que precisamos muito. E os meses viram anos. E de repente percebemos... bolas, não conheci uma pessoa nova em tanto tempo. 2013 foi assim... Cheio de gente nova no trabalho. Mas esses, por mais que goste deles, são trabalho. As ligações e os objectivos são focados e eu não tenho jeito para transformar essas pessoas em amigos (há raras e honrosas excepções, é verdade). Mas preciso separar as águas e separar as vidas. Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque.
Decisão dos últimos tempos: trazer para a minha vida mais gente. Conhecer gente. Podem sair na rifa parvalhões ou pode sair gente fantástica! Ou se calhar não tão fantástica, mas terá certamente coisas diferentes para dizer, uma maneira diferente de ver a vida. Uma vida diferente para partilhar. Perguntas e inquietações diferentes das minhas. Às vezes é preciso ultrapassar a preguiça. Mas depois, compensa largamente. O mundo alarga. Somos questionados. É preciso pensar para responder às perguntas. É preciso voltar a colocar as ideias no lugar porque quem ouve, vai ouvir pela primeira vez. Vai ser preciso explicar. E do meu lado, é preciso ouvir. OUVIR. Perceber. Ver onde leva tudo aquilo e como é aquele mundo. Ver que mundo é aquele. Ver e ouvir a cidade com outros olhos. O país. A vida. Outras vidas. Outras Lisboas ou outras cidades.
Palavra que gosto destas descobertas. Acho que nem me tinha dado verdadeiramente conta da falta que me andava a fazer gente nova na vida! Vão ficar? Não sei. Honestamente, não estou preocupada.

Obrigada Rosa!

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Umas das coisas fantásticas do mundo dos crafts é a generosidade. A Rosa Pomar é um exemplo disso. Uma das vezes que fui à Rotrosaria ela estava lá, a preparar um workshop de tricot. Mostrou-me umas amostras que estava a preparar e eu fiquei a olhar para uma costura, perfeita e praticamente invisível. Explicou-me em linhas gerais como se fazia em 10 segundos.
Agora que tenho um colete praticamente acabado, lembrei-me de tentar usar essa técnica. Andei para trás e para a frente, fiz e desmanchei. Mas consegui. Se calhar não fica tão perfeita como as da Rosa, mas continuo orgulhosa da minhas costuras. E, acima de tudo, muito grata por me ter ensinado!

Férias com pessoas dentro

Às vezes quero férias sem ninguém à volta. Os meus dias têm tanta gente, tanta solicitação, tanta gente com quem falar, que muitas vezes a única coisa queme apetece é ficar sozinha, sem ter de falar, sem ter de ouvir nem responder.
Mas estas férias estão a ser o oposto. Férias com muitas pessoas dentro. Amigos, família. Amigos e família que vieram de longe para estar no jantar dos entas. Gente que conheço há uma vida ou apenas há muitos anos. Gente que veio e que riu. Gente que comeu e bebeu e saiu feliz do lugar do costume. A batuta impecável do Chef Ricardo regeu bem a noite.
Mas há mais. Amigos que agora estão por cá. E que vêm cá jantar a casa para pormos a vida em dia. Amigos que foram e vieram mas que são sempre amigos.
Há gente nova. Que conheci por aí. Gente que não sei se se vai tornar um amigo ou não. Mas que conheci. E que fez o meu mundo alargar mais um bocadinho porque gente nova faz sempre isso. E gente que andou por aí tanto tempo até que um dia nos sentamos a falar e descobrimos que gostamos de falar.
Gente. Muita gente. Umas férias boas!

O Outono chegou!

Home.

O que vou dizer está longe de ser consensual... Mas eu adoro o Outono. As chuvas. O dia a escurecer mais cedo. As luzes indirectas de casa que tornam tudo mais quente. A manta no sofá. As nuvens no céu. O cheiro.... Apetece vir para casa, começar de novo. O Outono sempre marcou o início do novo ano, tal como nos dias de escola.
Gosto de voltar às botas. Aos casacos. Tal como, daqui a um tempo, me vai apetecer sol e dias gigantes. Mas para já, está óptimo. Chegou o Outono. E eu estou feliz com isso!

40

E porque não fazer marmelada no dia doa meus anos? :)

Hoje faço 40 anos. A aventura começou em Moçambique. Depois uma aldeia da Beira Alta. Queluz. Viseu. Porto. Lisboa. Agadir. Porto. Madrid. Barcelona. Porto. Luanda. Lisboa. Amanhã? Sabe-se lá!
Estes 40 anos deram-me tantas experiências, tanta gente linda. Uma família fantástica e amigos melhores do que mereço.
Por estes 40 que passaram, eu estou grata. Se os 40 forem pelo menos tão felizes, vou ter uma vida cheia.
Hoje? Estou em casa. A ajudar a fazer marmelada. Porque não?

Dias de nuvens



Prometeram-me chuva. Cheguei de Angola a achar que ia sacar dos casacos e dos impermeáveis. Afinal só hoje começo a ver nuvens e a sentir que se calhar o tempo vai mudar. Por mim, tudo bem!

Dias de Angola


Não se pode dizer que haja nada de verdadeiramente novo debaixo do sol de Luanda. As nuvens do Cacimbo escondem o azul do sol. O trabalho nunca pára porque é o de cá e o de lá. É suposto ajudar, passar o conhecimento que tenho e por isso cada pergunta vem com uma explicação de porquês. E eu, a pior professora do mundo, fico muito cansada com isso.
Já não tenho olhos de espanto como quando vim à 5 anos atrás (ah pois é meus amigos, faz agora 5 anos que fiz a minha primeira viagem por Angola) mas esforço por continuar a procurar a beleza. Uma velha ponte de  merece atenção, claro.
E ao final do dia, agulhas e lãs. Porque sim!

Devo ter andado a dormir. É que anda por aí muita coisa para me irritar.

Como estas declarações do Marinho e Pinto. Nunca gostei do Sr, já se perdeu a conta à quantidade de bacoradas que disse e acho que lhe devia ser aplicado o mesmo tratamento que defendo há vários anos para o Alberto João Jardim: o tratamento do silêncio. Não lhe liguem e não o publiquem.
Eu até concordo que político devem ser bem pagos para se dedicarem em exclusividade ao cargo para que foram eleitos. E para que não sejam corruptíveis. Ou pelo menos que seja mais difícil. Tal como acho que gestores de empresas devem ser bem pagos. Porque a responsabilidade de decisão deve ser bem paga. A gestão danosa deve ser punida.
Mas nada disto justifica aquela frase. Tenho vontade de o correr à tomada e ganho bem mais que o salário mínimo nacional.
Mas em vez disso, acho que prefiro dizer ao senhor que não ganho nada parecido com aqueles valores mas vivo condignamente em Lisboa. Num apartamento giro. Com actividades culturais à mistura. Não frequento restaurantes com estrelas Michelin mas janto fora, e muito bem, algumas vezes por mês. E sim, dedico-me em exclusividade à minha profissão.
Portanto, cale-se por favor.

Esta semana gosto do meu país!

Um sucateiro vai de cana porque andava a comprar malta. A malta que ele andava a comprar, vai de cana porque há amigos e amigos e favores que não se fazem. O único gajo com espinha foi um segurança que andou a contar camiões de sucata e achou que ou o teletransporte já existia ou alguma coisa estava muito mal.
Uma ex-ministra andou a contratar o irmão do amigo a preços asiáticos! Aliás, se alguém tem um amigo no Governo, por favor avisem-me. Por aqueles valores indecentes eu também compilo a legislação sobre educação e meto-a num excel. Tenho provas dadas. Já fiz isso antes com legislação de várias áreas num país estrangeiro. Se calhar até tenho mais experiência que o amigo da ex-ministra que nem percebi bem se chegou a entregar o trabalho.
Estou orgulhosa de quem investigou! Pelos vistos forneceu prova qb para que aquelas coisas que a malta comenta e que se diz que acontecem mas que até agora poucos ou nenhuns se atravessavam a dizer que era verdade.

Esta também deve ser culpa dos entas que se aproximam

Eu. A eterna fã das calças de ganga e das camisas brancas. De vez em quando dou por mim a ver umas coisas estranhas. No início dos trinta foi a epifania dos sapatos e das carteiras. Vá lá, não me desgracei. E consegui até encontrar umas coisas que ainda hoje duram e estão para durar. Melhor, coisas que continuo a usar.
Acho que a epifania dos 40 são os vestidos. Descoberta recente no sentido que não têm de ser só para as ocasiões. Descobri que há coisas muito fáceis de usar. Muito práticas. Que dão menos trabalho de manhã porque não é preciso olhar a ver se aquilo bate tudo certo. E descobri que, excepto dias de obra, são uma coisa muito confortável para trabalhar. Resumindo, têm vindo a ganhar preponderância no guarda-fatos.
E hoje, até me levaram a mudar velhos hábitos. Dia de voar sempre foi dia de calças e camisa. (Porque é que isto nem soa descabido.) Mas hoje, voei de vestido SkunkFunk e botas Swedish Hasbeens. Ou seja, bem vestida. E o melhor é que me senti diferente. Enfrentei o aeroporto e o avião não com aquele ar do costume bolas, lá vamos nós para mais uma monumental seca. Odeio voar. Só gosta quem não o faz profissionalmente. Não, hoje foi mais "siga para bingo e cabeça alta. Gaja gira a passar. Abram alas!". Sabem que mais? É uma atitude muito melhor!
A este ritmo um dia até vou acabar a ser um ser fashion. Lá para os 60. Que estes passos, eu dou um de cada vez!

A preguiça paga-se

Foi um Verão preguiçoso no que toca a coisas feitas. Um nadica de crochet aqui, umas voltas numa camisola ali. Mas nada que verdadeiramente se veja. É que o Verão, por estes lados, não é necessariamente mais fácil. Entre gente de férias e crises e coisas e cenas e o calor que, apesar de ter sido pouco, a mim cansa-me, foram meses sem nada para mostrar.
Hoje, acordei das minhas doze horas de sono com uma enorme chuvada. O ar cheira a limpo. Lá em baixo, a minha mãe prepara-me um arroz de frango. Os meus tipos conversam. Ainda vai haver tempo com um road trip com o mano hoje e umas horas de comboio. Cheira-me a Outono. A início de um novo ano. Porque para mim, em Portugal, o ano começa no Outono.
Recomecemos portanto!

Eu e Serviço Nacional de Saúde

Raramente o uso. Mas sou acérrima defensora e sei que, quando é preciso que funcione a sério, para problemas sérios, funciona mesmo.
Mas hoje só preciso de uma injecção. Os centros de saúde fecharam às duas da tarde. E o hospital diz que não dá a injecção porque não é uma urgência. Belíssimo. Solução: um hospital privado. Onde vou pagar uma fortuna por uma seringa e dois minutos de trabalho e um enfermeiro. Porque os outros estão demasiado ocupados. Sabe-se lá com quê....

Da preguiça

Lá por estar doente não significa que não consiga fazer mesmo nada


Quinta à noite sabia que vinha uma amigdalite a caminho. Sexta à tarde a médica achou que aquilo estava com tão mau aspecto que era desta que eu me ia estrear nas injecções de penicilina. Confesso que esperava uma recuperação fulminante. Mas não. Dormi mal. Com febre. Acordei com o corpo todo a pedir cama. Ando basicamente a divagar entre um sofá e outro. Devo ter meio neurónio a funcionar. O outro deve estar a curtir sozinho a penicilina.
Por isso, os dias de preguiça e sofá normalmente significam crochet. Há uns individuais começados. Há mais um protector de Ipad nas agulhas. Pode ser que amanhã seja dia de não fazer nada por ser dia de passear.

Eu e a arte #9

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Eu e a arte contemporânea temos muitas vezes uns probleminhas de entendimento. Mas desta vez não!

Livros que nos assustam

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Tenho uma imensa quantidade de livros que ainda não li. Uns porque não. Outros porque um dia peguei neles e as primeiras páginas assustaram-me. Ou porque não estava no espírito certo. Ou porque simplesmente não me agarraram.
Gunter Grass é um desses autores que me assustaram. Quando ele ganhou o Prémio Nobel, perguntei a um amigo alemão, nas costas de um postal, "Who is Gunter Grass?". A resposta chegou uns dias depois, nas costas de outro postal "The angry old man of german literature". Peguei no pregado. Não consegui. Ficou na prateleira.
Mas ultimamente, decidi que há coisas que se calhar agora são possíveis. E no sábado de manhã, meti o livro na cesta, fui passear, e sentei-me com um café e um croissant. Abri-o e comecei. Ainda não me conquistou. Mas já não me assusta.

Remendar


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As calças de ganga têm a mania de se romper. Normalmente entre-pernas. O que tem remédio temporário com um pedaço de ganga de meia hora na máquina de costura. 
Estes decidiram romper no joelho. E portanto estiveram encostadas meses e meses porque não sou miúda de calças rasgadas. Mas caramba, não é assim tão grande. E bolas, merecem um esforço. Por isso, inspirada neste post da Vera Espinha, meti as mãos ao caminho. Eu e linha de bordar. Ficou perfeito? Não. Mas mais vale assumir que não sei passajar e dar-lhe o ar caótico que tanto me agrada. Acho que vão durar mais uns meses... 

Eu (os engenheiros) e a arte #8

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Acho que a engenharia pura  dura deveria ser considerada arte mais vezes. O ferro, uma ponte, uma barragem, um motor bem desenhado, são coisas lindas. As regras e as leis que os regem, acredito eu, impedem o caos e criam algo que tem uma beleza muito própria. 
Se não acreditam em mim, um dia destes vão visitar o museu da electricidade.