Coisas dos dias

Por aqui o Outono chegou. Teve uns dias de frio de rachar ossos mas agora sai-se de casa de manhã com uns suaves 10º ou 11º. Sem problema. Entretanto, continua isto de criar novos hábitos, de fazer a vida mexer um pouco, mudar algumas coisas e ver se é para durar. 
Um dos novos hábito é preparar à noite o que vou levar no dia seguinte para o escritório. Almoço e snacks. Vários snacks que os dias entre sair e voltar a casa são longos. Uma das coisas a que me estou a habituar é a pudim de chia. Não sei se pudim é o nome mais correcto mas enfim. Preparo um dia à noite, dura vários dias no frigorífico e por isso, cada noite, é pegar numas colheres daquilo, meter no meu copo de iogurte giro, acrescentar fruta e/ou iogurte e/ou mistura de nozes e amêndoas e o mais que eu meti naquela mistura, frutos secos, pólen de abelha.... O que me vier à cabeça. No dia seguinte, sei que no frigorífico do escritório há uma coisa saborosa, saudável, que sei que me vai saciar e que está pronta a comer. Com a vantagem que a cozinha principal é do outro lado do escritório o que significa que se acrescentam uns passos ao objectivo dos 10 000 por dia. 
E pronto, assim vai a vida. 

Coisas boas da vida

De vez em quando gosto de juntar gente em casa em volta da mesa. Desta vez foi uma espécie de ThanksGiving. Havia muito a agradecer a esta gente. E eles vieram. E comeram. E beberam (oh meu Deus, como beberam!!!). Ingleses a comer moelas como se não houvesse amanhã, os olhares felizes ao ver pastéis de bacalhau (que sumiram antes de um ai), as perguntas de "mas onde é que arranjaste os rissois??". Enfim, muita conversa, muita gargalhada, muita estupidez seguida de conversas sérias. Ah, e o Afonso fez um amigo!

Pára tudo!

Eh pá, isto de agora estar viciada em blogues de comida tem que se lhe diga. Ao Green Kitchen Stories cheguei via a Marta. Já não sei como dei com os livros e o blogue da Ella. O My New Roots já conhecia mas não tinha explorado (e é lindo de morrer). O Roots levou-me ao My Darling Lemon Thyme (este tem uma influência mais asiática por isso acho que vou usar menos mas não deixa de valer muito a pena explorar). Carne e peixe é para os livros que andam cá por casa mais o site do Jamie Oliver.
E pronto, estou tramada. Não há vida para experimentar tanta coisa boa. Digam lá se as fotos abaixo não são de um gajo babar.

Green Kitchen Stories:
Deliciously Ella:
My New Roots: 
My Darling Lemon Thyme:

Um dia destes não me reconheço

Ora bem..... descobri que o edifício onde agora trabalho tem um contrato com o hotel em frente e a mensalidade para o ginásio do hotel é de 40 libras/ mês para um contrato de 6 meses. Acesso total a qualquer dia e a qualquer hora. E aulas de pilates e yoga (exactamente o que eu preciso) dois dias por semana. Toalhas incluídas, sauna, piscina, banho turco. Para quem sabe quanto custam estas coisas em Londres, está-se mesmo a ver que fui lá e inscrevi-me. Por aquele preço e querendo eu fazer yoga, nem no ginásio "pagas as aulas a que vais" aqui em Wimbledon. Negócio fechado, começo na próxima terça (que até lá há uma festa para organizar cá em casa).
E não resisti a comprar o livro de batidos e sumos dos autores do blog Green Kitchen Stories. O sacana do livro está cheio de boas ideias! Apetece passar a beber smothies todos os dias! A sério.... os meus olhos andavam culinariamente fechados. Mas anda a fazer-se luz!

Coisas dos dias

Quando passei a achar que o Tom Cruise falava espanhol, achei que estava na altura de voltar para casa. Agora que começo a gostar de porridge, se calhar devia fazer o mesmo. Não fosse o leve facto de agora ter o meu emprego de sonho (que me vai tirar anos de vida, causar preocupações sem fim, dar chatices daqui até à China mas nada disso importa). Portanto, vamos falar de porridge.
Cada vez que via a malta a comer porridge, eu olhava para aquilo com um ar de "mas que porcaria é essa de que tanto gostam e tem um aspecto tão miserável?". E as minhas primeiras experiências foram más. Muito más. Porridge pré-feito, tipo adiciona água e come; uma coisa super-doce, miserável. Mas camano, um povo inteiro não pode estar assim tão errado (meio povo pode: é só ver que há muitos que odeiam marmite). Por isso lá me tentei outra vez, influenciada pelos mais recentes livros de cozinha cá de casa. Comecei a fazer em casa, do princípio. A meter fruta e iogurte por cima. E umas sementes ou frutos secos. E comecei-lhe a ganhar o gosto. Sobretudo nestes dias mas frios, com uma boa chávena de chá (a que agora adiciono rodelas de gengibre e de curcuma). Hoje foi porridge com fruta aquecida com manteiga e mel (meu deus, é tão bom), mirtilhos, sementes e iogurte de gengibre (outra coisa pornograficamente boa).
Entretanto, comme d'habitude, cá por casa continua a ler-se muito. Agora é Butcher's Crossing, de John Williams. Em português, para variar. Confesso que não sei nada sobre o autor. Mas gostei da capa do livro, sóbria, simples, nada daquelas coisas pseudo-fofinhas-ou-palermas-ou-self-help-ou-seja-lá-o-que-deu-nos-editores-que-inventam-capas-medonhas. Ainda não me decidi se gosto do livro. E confesso que é quase estranho estar a ler em português. Ou secalhar é deste livro que parece ter adjectivos a mais. Mas vou perseverar. 
E pronto, aqui ficam os meus companheiros de pequeno-almoço. 
Bom dia mundo!

Alguém que me explique...

.... porque diabo nestes dias de Outono, frios, quando estou em casa à tarde, me apetece sopa para o lanche em vez de chá e torradas?

Acordar devagar

Por aqui já é noite bem antes das cinco da tarde. Apetece estar em casa, no quentinho, com uma chávena de chá e uma manta a cobrir as pernas. E hoje soube bem acordar mais tarde, ficar na cama e deixar a luz começar a entrar. Planear coisas e viagens, tarefas, comida, costura.... e devagar devagarinho deixar o dia começar. Bom dia mundo!

Pela cidade fora

Londres é uma daquelas cidades onde nos conseguimos deslumbrar a cada esquina. Este edifício é em frente do novo escritório. Ainda não tinha reparado nele mas hoje entrou-me pelos olhos adentro.

Ainda na onda do levar o almoço para o escritório

Confesso que para mim faz toda a diferença se levo alguma coisa saborosa e com bom aspecto. Pode parecer fútil, eu sei. Mas para mim conta. Senão o resultado é simples: saio porta fora e vou comer uma coisa qualquer com melhor aspecto (provavelmente atascada de coisas que devia evitar) e o almoço volta para casa. Provavelmente acaba no lixo. 
Por estas e por outras, gosto muito da minha nova caixa de almoço. Levo sopa, prato principal, e ainda cabe um frasquinho com molho. Isto dos molhos foi coisa que aprendi aqui.... e, ainda que relutantemente, tenho que admitir que faz a diferença. Nem sempre, mas às vezes faz. E pronto, almoço preparado. Fica no frigorífico e amanhã é meter no saco. Melhor não posso pedir. 

Eu não sou uma pessoa organizada

Verdade verdadinha. Eu não sou naturalmente organizada. Quem me conhece e frequenta a minha casa sabe que há por todo o lado pequenas coisas espalhadas que claramente não pertencem ali mas que ficaram pousadas e nunca mais me lembrei de as arrumar. Mas tive que aprender a ser organizada ou a vida seria mais difícil. Por isso aprendi a ser organizada no trabalho, nas férias - ou acham que é possível ir a Portugal quando se mora fora sem estar de agenda em punho para garantir que se faz tudo o que é preciso e se vê todos os amigos e família que se quer ver?
Agora quero ser organizada com a comida. Decidi há uns tempos atrás que ia experimentar coisas novas, dar mais uso à minha (estupidamente) grande colecção de livros de cozinha. O objectivo é uma refeição principal vegetariana e uma com carne ou peixe. E também descobri que vegetariano aquece melhor no microondas do que carne ou peixe. Portanto os almoços no escritório passam a ser vegetarianos. E só há (digo eu que não tenho maldade nenhuma) uma maneira de conseguir isto: preparar no fim-de-semana. Por isso acabei de passar duas horas na cozinha (não contando com o almoço). Portanto, neste momento há uma omolete (ou frittata ou tortilla ou o diabo que lhe quiserem chamar) feita com o que sobrava no frigorífico de legumes assados no forno, feijão com pesto e batata doce assada. Deixem-me dizer-vos que ficou óptima! Além disso, há uma panela de caril de legumes, cevada cozida, humus e um molho verde maravilha que acho que vai ser precioso durante a semana. Tudo inspiração deste blog que me enche os olhos. E sopa, claro. Agora, à noite, é colocar umas coisas numas caixas de transporte de comida (já tenho uma destas) e o almoço do dia seguinte está tratado (o que, considerando que moro em Londres e ou vivo a sandochas ou pago uma fortuna pelo almoço, me parece um bom plano). Saboroso, saudável, muito mais barato que comida comprada, e tudo isto com um pequeno investimento de tempo ao domingo.
Digam lá que a minha omolete não tem um aspecto fantástico...
E já agora, as duas horas de trabalho resultaram nisto:
E sim, estou longe de saber fotografar comida.

Let's get back to life!

Eu sei.... este blog parece ter morrido como tantos outros. Mas não, foi apenas uma pausa. Dez meses de pausa provocados por um probleminha cabeludo que exigiu toda a a minha atenção e energia. Mas passou. Portanto voltemos à vida! Há projectos profissionais novos (uma obra daquelas de geotecnia que eu tanto gosto, de um tamanho que nunca sonhei, cheia de máquinas e lama  e coisas que podem cair), muitos livros para ler (o mundo está mais cheio de livros bons do que eu tinha consciência e as prateleiras de livros para ler um dia destes caem-me da parede), há muitos livros de receitas novos para experimentar (isto não vai virar um blog de comida mas não se espantem se aparecerem muitas fotos por aqui), há ainda muita Londres para conhecer e muitas pequenas viagens de fim-de-semana para fazer este ano. 
Mas façamos um apanhado dos últimos tempos: 
Fui a Portugal de férias. Passei uns dias deliciosos no Porto, a rever amigos, a apanhar sol numa esplanada na praia, a constatar que o sushi do Terra continua tão bom como sempre e, sempre que podia, a fazer a marginal e a encher os olhos daquelas vistas extraordinárias. Confesso, o Tamisa não é o Douro e o mar faz-me muita falta. 
Passei uns dias na aldeia. A falta de água fez as castanhas mais pequenas e incrivelmente difíceis de apanhar. Mas com jeito, vai. E o meu soito está bonito, com potencial para melhorar. Mas agrada-me ser agora dona de terra, ter um pedaço de terra que é meu e que eu posso ver florir. (Note-se: eu sou uma miúda de sorte, com uma mãe e um tio que me tratam da terra e a enchem de árvores). 
Os livros vegetarianos recentes parecem-me ter uma abordagem que me agrada. Receitas com ingredientes normais, simplesmente tratados de outra forma. Desta vez experimentei uns bolinhos de grão-de-bico com ervilhas e ervas. Deliciosos! Experimentem! A receita está aqui. Ok, não fiz todas as partes da receita mas ninguém disse que é preciso levar as receitas à risca. 
Londres, ou melhor, a minha zona de Londres, continua a ser uma excelente mostra das estações. As árvores perdem as folhas que se acumulam castanhas no chão. Circular por estas ruas é verdadeiramente um prazer. 
À pois, quase me esquecia. Vim de Lisboa com umas sandálias de mondadeira lindas compradas na Retrosaria. Confortáveis e com uma manutenção que me agrada. sebo. Cheira-me que vão ter muito uso. 

Só à chapada

De vez em quando acho que devia mesmo começar a distribuir chapada. Sobretudo quando as pessoas são preguiçosas e pouco profissionais. Agora, por motivos que não interessam, não posso fazer isso. Mas daqui a uns meses já vou poder. E vai haver uns poucos a andar de lado. Ai vai, vai.

Alma de agricultora ou as coisas que nos correm no sangue

Os meus avós eram todos agricultores. Cresci com os Verões cheios de apanhas de batatas, cegadas, malhadas, apanhar o feno. Havia vindimas e apanhas de maçãs. Era simplesmente assim e eu gostava de fazer parte daquilo. Nunca me afastei completamente mas se calhar durante uns anos não liguei muito. Até há meia dúzia de anos acho eu. O meu irmão começou a aparecer na aldeia cheio de sementes e alfobre para a minha mãe pôr na horta. Eu ganhei o gosto de levar para casa cenouras que cheiram a cenouras. Hoje ele não falha quando toca a regar castanheiros no Verão e estrumá-los. E eu decidi comprar um soito que estava ao lado de um dos nossos.
Sim, eu comprei terra. Um soito. Que ainda conheço mal, confesso. Porque, verdade verdadinha, quem fez o negócio foi a minha mãe. E ela e o meu tio já se fartaram de trabalhar lá. Limparam o cancro dos castanheiros, limparam e vedaram o poço, limparam as extremas. E plantaram árvores. Basicamente todas as árvores de fruto que aqueles dois se lembraram e que se dão lá na zona. Caramba, até um medronheiro (até agora só conhecia lá um) me plantaram porque sabem que eu gosto de medronhos!
Este ano vou ter castanhas. Minhas. Não que as do terreno da família não sejam, mas estas são minhas. E até já tenho maças de umas árvores que já lá estavam. 5 caixas de maças. Acreditem que é muita maçã. Até podem ter um bocadinho de bicho que não as enchemos de químicos, mas estão lá. As minhas maçãs. E esta coisa da terra vai crescendo.... Não fosse a minha aldeia tão longínqua e não sei se hoje morava em Londres. Se calhar sim porque acho que a meu tempo de mudar para a aldeia ainda não chegou. Mas gosto do conceito de ter terra, aquela coisa que não se cria mais e da qual se pode viver. Quando se mora numa cidade que de vez em quando tem uns ataques terroristas, sabe bem saber que há um cantinho do mundo onde me posso refugiar.
E pronto, deixo-vos com a foto das minhas maçãs. Que vos garanto são de certeza saborosas!

Epifanias culinárias

De vez em quando acontece: algo surge que nos surpreende, algo que é tão bom que pensamos onde diabo andou aquilo a nossa vida toda.
Cardamomo em sobremesas. (Eu sei... um título destes e afinal é só uma especiaria???) Mas sim, cardamomo num bolo de cenoura. Ok, verdade que nunca tinha feito nenhum. Mas já comi muitas fatias desde que cá cheguei. E honestamente acho que este é o melhor. Mesmo sem a cobertura (achei que era desnecessário juntar ainda mais calorias e os bolos de domingo com que cresci não tinham coberturas). É bom, a sério. Aumentem a fotografia da receita e vão para a cozinha. Ou, melhor ainda e porque quando alguém faz uma coisa bem feita merece o nosso reconhecimento, comprem o livro. Depois digam de vossa justiça!

Autumn is coming

Não se pode dizer que tenha sido um mau Verão por aqui. Houve uns dias com temperatura na casa dos 25º, houve sol. Uns dias de chuva aqui e ali para evitar ter de regar o jardim. Mas hoje parece que o Outono chegou. Está um vento frio, o céu branco de unas nuvens que parece que vieram para ficar. Saí de casa armada em espertinha para ir caminhar e almoçar algures e voltei mais cedo do que pensava para me sentar com uma manta sobre as pernas.
Entretanto a vida vai-se fazendo de descobertas. Descubro parques novos, sabores novos, autores novos. A biblioteca continua a aumentar a uma velocidade assustadora graças aos livros em segunda mão da Amazon (eu sei, eu sei.... morrem livrarias de cada vez que eu faço isso mas façam lá a caridade de me desculpar porque eu gosto mesmo de livros). O mundo alarga de cada vez que abro um desses livros e me deixo levar. E agora vou ali fazer uma chávena de chá e continuar a ler.

Afternoon tea ou como eu gosto de viver em Londres


Ainda não tinha tomado um chá das cinco, daqueles servidos como deve ser. Foi ontem. A repetir!

O campo em Londres

Sim, eu moro em Londres mas na verdade encontrei aqui um pedacinho de campo. A minha rua parece uma aldeia, as estações vêm-se e cheiram-se e tocam-se. E, se isso não chegasse, esta zona está cheia de parques. Parques que até podemos chamar de agrestes. Com lama, urtigas, árvores de caem. Riachos. Natureza verdadeira. A 5 minutos de casa. 
Eu sei: tenho mais sorte que juízo. 

Das estações

Em África aprendi que não sou fã daquele calor húmido que dura meses sem fim e nos mantém as costas a pingar horas a fio. Também percebi que preciso de estações. Preciso de cores de Outono, de chuva, de frio, de árvores a renascer, de calor de pedir sombra. De certa forma, tenho quase tudo em Inglaterra. Excepto, em raríssimos dias, o calor de pedir sombra. É Agosto e estou a ler com uma manta nas pernas. Vá, não me parece justo.

Macro

Não sou uma fotógrafa dotada mas gosto de tirar fotografias. Não pessoas nem paisagens, mas gosto de detalhes. E descobri, por acaso, que o meu telefone faz umas macro que me agradam. Tenho andado por aí, de telefone na mão, a fotógrafas flores pequeninas, a tentar focar as formigas e as teias de aranha. Não transmitem nada de especial. Apenas beleza.

Pequenas diferenças


Quando a minha mãe veio a Londres na Páscoa, achou que a vida aqui é muito diferente. Que a maneira como se lida com os miúdos é diferente, que a comida é diferente, que os dias são diferentes. Sim, eu reconheço isso tudo. Mas a diferença de que gosto mais é o preço dos livros. São BARATOS!!!!! Novinhos em folha, a cheira a tinta, numa livraria que se preye, custam metade do que em Portugal (pelo menos). Em segunda mão numa charity shop ou na Amazon (eu sei, eu sei, muitas livrarias fecharam por causa dela e eu não devia comprar lá mas eu gosto é de livros) custam 1 libra, ou duas ou três. Não mais que isso.
E eu gosto de livros. E não me chateia ler em inglês (apesar de quando em quando ir buscar um em português porque lhe sinto a falta) por isso as prateleiras dos não lidos aumentam todas as semanas. Livros bons, autores daqueles que sabei que quero ler e conhecer ou outros que metem no meu caminho. Quando um dia voltar para casa vai ser o lindo e o bonito....