Do mercado e da livraria


Confesso que me continuo a divertir imenso com o meu desafio culinário! Os ingredientes de sempre (quase todos) preparados de uma forma diferente, ou da mesma maneira mas com uma erva qualquer que faz tudo explodir de sabor. Ou um ingrediente novo que afinal é excelente. Na verdade, sinto-me entusiasmada como quando, no ano passado, e depois de muitos anos a ler livros "menores", dei por mim a ler livros bons, daqueles que nos questionam e nos levam a lugares verdadeiramente diferentes e nos fazem ter sentimentos (bons ou maus, não importa) em relação às personagens. Claro que, de vez em quando, é preciso voltar às origens. Um arroz de frango como faz a minha mãe. Da mesma forma que ando a ler, pela n-ésima vez, o Miss Smilla's Feeling for Snow.
Mas a verdade é que há tanta comida boa pelo mundo, tanto mundo para descobrir. Que ainda por cima posso descobrir aqui, no meu sofá e no meu fogão.
Por agora, a aventura continua!

À procura de novos sabores

A minha comida anda aborrecida. Parece que nos últimos anos cozinhei sempre as mesmas coisas, da mesma maneira. Ainda mais desde que cheguei a Londres.
Por isso achei que estava na hora de me aventurar. Os livros de cozinha que estavam na prateleira não eram o que eu precisava. Precisava de algo que tivesse receitas fáceis, cozinhadas de uma forma consistente, com ingredientes fáceis de encontrar. Comida de todos os dias mas com algo de diferente, que me traga sabores novos, combinações novas.
Encontrei este livro. Não vou virar vegetariana nem vegan. Mas vou experimentar. Objectivo: 2 receitas novas por semana. Vegetarianas. Daqui e de outros livros. Porque sim. A ver quanto tempo me duram as boas intenções.

Um dia de chuva

Eu sei, estamos na Primavera e devia estar sol. Esteve ontem. Hoje chove. Choveu toda a noite. E continuou a chover o dia inteiro. Sempre. Chuva vertical. Sem parar. O que, para Londres e pelo que vi até agora, é verdadeiramente uma raridade.

Religião e afins

Cresci católica, claro. Com os meus problemas existenciais com a igreja, quem não os tem?
Mas por duas vezes fui a missas diferentes, uma luterana e outra da Igreja de Inglaterra. E de ambas as vezes, alguns detalhes me chamaram a atenção e fiquei com a impressão que não perdíamos nada em aprender umas coisas.
De ambas as vezes, no final da missa, o padre vem para a porta e cumprimenta os paroquianos um a um. Podem dizer-me que isso não é preciso numa aldeia portuguesa onde todos se conhecem mas a verdade é que eu tenho a impressão que quem assistiu à missa de ambas as vezes eram os habituais. E nota-se um imenso envolvimento entre a igreja e a comunidade e vice-versa. Na oração dos fieis na igreja aqui ao lado pede-se pela rainha, pelos membros das forças de segurança a seguir a um atentado, pelas pessoas que sofrem na Síria; os membros da comunidade que estão doentes e que precisam de orações são nomeados um a um, quem faleceu é recordado na missa seguinte. Várias pessoas fazem parte da celebração entregando missais no início, coordenando quem vai comungar. Os miúdos da catequese fazem pequenos projectos que são mostrados na missa pela pequenada. Todos são convidados a ir ao centro paroquial no final da missa para um café ou um chá.
Eu cumprimentei o pároco no final. Disse que era nova nas redondezas. "Já te entregaram o kit de boas-vindas?" "Nao se preocupe, eu vou aparecer de vez em quando". Porque a verdade é que me parece que a igreja aqui está mesmo inserida na comunidade, é uma coisa viva, em que muitos participam. E confesso que me apetece mais ir à missa aqui do que alguma vez me apeteceu em Portugal.

Cem anos de solidão

"La Calle de los Turcos, enriquecida con luminosos almacenes de ultramarinos que desplazaron los viejos bazares de colorines, bordoneaba la noche del sábado con las muchedumbres de aventureros que se atropellaban entre las mesas de suerte y azar, los mostradores de tiro al blanco, el callejón donde se adivinaba el porvenir y se interpretaban los sueños, y las mesas de fritangas y bebidas, entre cuerpos que a veces eran de borrachos felices y casi siempre de curiosos abatidos por los disparos, trompadas, navajinas y botellazos de la pelotera."

Bolas, eu já gostava deste livro em português. Mas o original é de tirar o fôlego a um mortal.
Sim, continuo na saga dos livros. E este já li pelo menos das vezes em português. Mas uma amiga ofereceu-mo em espanhol e eu quis ver como era. Uma coisa espantosa, uma melodia nas frases incrível.
Assim cá por coisas, e muito por viver agora num país estrangeiro onde tenho que comunicar, escrever, traduzir e, sorte ou azar, consigo lidar com 4 línguas relativamente bem, tenho pensado nisto das traduções, de como se passa de uma língua para a outra, do que dá para fazer ou não dá para fazer. Tenho descoberto que o inglês tem poucos tempos verbais, que o "you" sem versão formal ou informal é unificador mas ao mesmo tempo simplista e claramente modela a língua e as relações sociais. Descobri que gosto muito das línguas latinas e que as acho ricas e bonitas. E o português, não há volta a dar-lhe, será sempre a língua que a minha alma fala.

Eu consigo, eu consigo... ou o mantra que digo a mim mesma para chegar até ao fim

Ele há livros que assustam. Porque quando começamos a ouvir falar deles, percebemos que são obras primas difíceis, coisa de gajos que são atropelados por um camião depois de acabar o doutoramento sobre duas páginas do livro. Para mim, o bicho papão sempre foi Kafka e Joyce. Os livros (ou pelo menos alguns) estão nas minhas prateleiras há anos, à espera que eu ganhe coragem. Há sempre mais alguma coisa para ler. Por isso aqueles foram ficando para trás.
Mas afinal, sou uma mulher ou sou um rato? Vou assustar-me assim com uns livros que alguém deve ter lido ou não seria famosos como são? Vou mesmo deixar isto assustar-me? Eu não sou um rato! E pronto, lancei-me ao teoricamente mais fácil (não sou um rato mas também não sou parva!). America de Franz Kafka. E vou chegar até ao fim por sou teimosa que nem uma mula. E vou ler os outros porque não sou um rato. E porque ao menos, depois disso, vou poder dizer "Já li, não fiquei fã". Ou se calhar fico. Logo vemos quando chegar ao final.

The Invention of the World

But the where of a life don't matter at all, it's the how of your life that'll count.
Jack Hodgins, The Invention of the World

Verdade verdadinha. Não importa onde estamos. Importa como vivemos. 

Eastbourne

Precisava sair de Londres. Precisava ver o mar. O conselho que recebi foi Brighton.
Demasiadas pessoas, demasiado.... sei lá. Mas gostei de Eastbourne. E lá fui eu, cheirar o mar e matar saudades de horizonte.


Primavera




Vocês vão-se rir..... mas a verdade é que acho eu nunca dei conta da primavera como este ano. Sim, claro que eu sempre notei os pompos a crescer e vi as folhas pequeninas e vi dei conta das flores. Mas este ano eu caminho por entre árvores e arbustos todos os dias. Este ano eu tenho dois jardins que todos os dias mudam nas últimas semanas. Bolas, eu tenho flores em vasos que apanhei no jardim da frente! E deixem-me que vos diga, é uma coisa fantástica. Eu já gostava da horta da minha mãe e gostava de a ver cheia de tudo. Mas este ano é diferente.

Aprender a fazer diferente


Por razões que agora não vêm ao caso, nos próximos tempos vou trabalhar mais a partir de casa. Coisa que nunca fiz. Conceito de que sempre fugi como o diabo da cruz.
Mas não é que até estou a gostar? Sossego total para pensar em paz, música a tocar no fundo, baixinho, só para o silêncio não se tornar demasiado pesado. Eu, o computador e a chaleira para me levantar de meia em meia hora e fazer um chá. Afinal, isto tem tudo para correr bem!

Amizades que valem ouro

Ele há coisas e dias e sortes especiais. Um belo dia entrei numa galeria de arte para passar o tempo. E lá dentro estava uma pessoa com um sorriso simpático. E ficámos à conversa. Passadas poucas semanas, 12 anos atrás, fomos de férias para Barcelona. Celebrámos o aniversário dela lá. E a amizade continuou, com altos e baixos, com fases em que cada uma de nós quer esganar a outra. Mas continuamos amigas. Agora somos mais que isso, somos família! Gosto muito de ti, porra!


Trambolhos de ouro

Infelizmente não fui eu que inventei a expressão mas gosto muito dela... E aplica-se que nem uma luva aos modelistas deste ano dos Óscares. É que não me lembro de ter visto uma coleção tal de vestidos que não queria nem oferecidos.

I am back!

Eh pá, eu digo que ando sem paciência para o blogue, que não me sai nada de jeito, que parece que me sinto obrigada a escrever. Mas depois quando páro, sinto um vazio. Parece que as fotografias bonitas que de vez em quando tiro ficam fechadas no computador e que perdem a vida. Parece que as palavras ficam apenas na minha cabeça, perdidas. Por isso voltei.
O 365 fotográfico está anulado, claro. Tenho pena de não o terminar mas estava a tornar-se mais um peso que um prazer. O que não significa que não haja fotografias de que gosto. Como as duas abaixo.
Bom fim-de-semana!


Até já!

Olá gente!
Manter este blog não tem sido fácil. Não consigo explicar mas não me apetece vir aqui escrever. O 365 foi uma tentativa de manter este cantinho vivo mas não me está a dar gozo nenhum.
Por isso, para já, vou deixar isto em banho maria. E quando as saudades baterem, eu volto.
Até já!

2016

Para mim, este foi ano de muitas mudanças. Perdi o meu pai para uma doença que espero um dia tenha cura. Mudei de cidade, de país, de emprego. Fiz amigos novos e tive saudades imensas dos de sempre. A família ficou cá e o que vale é que todos sabemos lidar com a distância e a saudade. Foi um ano cheio, cheio de mudança que quase parece fácil mas, apercebi-me por estes dias, que me cansou muito e drenou-me energia que não sabia que tinha. Tive (e vou continuar durante mais uns anos) a ter de provar o que valho e o que sei. Tenho de provar todos os dias e não estava habituada a isso. Pensei se fiz bem  tomar a decisão que tomei, mas não me arrependo. A vida é para a frente e enfrentar medos faz parte dela. Parece um ano com pouca aventura comparado com anos passados mas foi antes uma aventura que durou um ano inteiro. Cheira-me que vai continuar.
E sei que voltava a fazer tudo de novo se pudesse voltar atrás.

Bom Ano gente boa!

#140 - 17-12-2016

De vez em quando sabe bem parar num lugar bonito, tomar um café bonito e ler um livro ainda melhor.

#139 - 16-12-2016-1

Não tive tanta neve quanta desejava, mas consegui fazer uma bola e atacar quem estava por perto.

#138 - 15-12-2016

A noite a cair nas montanhas.

#137 - 13-12-2016

Cantos da casa.

#136 - 09-12-2016

Boa noite Londres.