Das aventuras do passado e das aventuras do futuro


Há 17,5 anos atrás, eu tive a sorte de o meu CV ter sido enviado para uma empresa. O meu primeiro emprego, irrecusável, era na melhor empresa do país na especialidade que eu tinha escolhido. Bingo!!!
Lembro-me bem do primeiro dia. Cheguei, disseram para esperar uns minutos na recepção, até que me aparece o Rui, o meu chefe, com a cabeça cheia de caracóis e uma camisola de lã. Olá! Vais trabalhar comigo. Olhou para os meus pés. Vamos às compras. Uns minutos depois, armada de umas botas de biqueira de aço e um capacete branco, lá fui eu para o meu primeiro dia nas obras. Estação da Baixa Chiado e Gare do Oriente. Na versão work in progress. Eu não sabia caminhar ali, descer as rampas, avançar na lama sem parecer uma totó acabada de chegar. As plataformas abanavam debaixo dos meus pés mas todos trabalhavam lá, confiantes, por isso eu subi, tentei disfarçar o medo o melhor que pude. E sobrevivi ao primeiro dia. E ao segundo. E ao primeiro ano. E à primeira década. Tive dias maus, dias normais, dias excelentes. Fui crescendo. Mudei de departamento, mudei de chefes, mudei de país, mudei de cidade. Mas fiquei. Até me ter tornado, como alguém disse esta semana, parte da mobília ou, de uma forma mais poética e como alguém também disse esta semana, parte do DNA. 
Não há palavras que cheguem para o que aprendi e o que vivi. Os lugares e as experiências me deu!
Há 2,5 anos atrás, algumas alterações. Outra empresa no mesmo grupo. Muitas pessoas novas entraram para a minha vida. Mais responsabilidades. Coisas novas ao mesmo tempo das coisas de sempre. Um desafio enorme. Uma equipa de luxo (e não fui eu que lhes dei esse nome!!) e um resultado final que às vezes me parecia impossível. Não atingi todos os objectivos, mas lutei.

E um dia... uma manhã.... umas semanas atrás.... decidi despedir-me. Tive que explicar esta decisão a muita gente nos últimos dias e foi difícil descobrir as palavras certas porque não era pelos motivos do costume. Não era por estar farta, ou chateada. É apenas, e na falta de melhor descrição, a minha versão da crise dos 40. Quero começar de novo. Quero aprender de novo. Quero provar a mim mesma que sou capaz de funcionar bem fora da caixa que conheço. Quero descobrir mais gente, mais empresas. Alargar o meu mundo. E sei, e todos percebem isso, que ou o faço agora ou nunca mais terei coragem. E acreditem ou não, esta decisão é a certa para mim. Sei isso pela paz com que passei estas semanas.
E como eu sou uma pessoa muito cheia de sorte, os últimos dias encheram-me o coração ainda mais. Eh pa? Tu? Whaaaty? Tás louca? Tás a brincar, certo? mas vais fazer o quê? Passaste-te da marmita? eram invariavelmente seguidos de vais fazer-nos falta! foi tão fixe trabalhar contigo! vais deixar saudades! e das frases finais fico muito feliz por ti! ah muda com coragem! vais arranjar qualquer coisa num instante, não tenho dúvidas! tu dá notícias! aparece para almoçar! 
Saio tranquila porque sei que as coisas ficam em boas mãos. Porque sei que eles sabem que me podem ligar olha lá, mas porque diabo é que tu inventaste aquilo assim? Sandra, socorro, não percebo nada da norma dos Lefrancs!!!! E eu, na medida do possível, cá estarei.

O que vou fazer agora? Férias. 3 semanas de férias. Tempo para os pais e a horta, tempo para passear pela Europa de que tenho tantas saudades e que não visito há 6 anos. Tempo para ler, dormir, arejar a cabeça. Depois, é entrar na luta de novo. Descobrir o próximo desafio. Provavelmente algures na Europa. Admitam, eu tenho cara de quem mora da Dinamarca, ou na Holanda, ou noutro lugar parecido, certo? Acredito que sei fazer umas coisas, que gosto de aprender. Sou um ser pensante, com 2 mãos e 2 pernas e uma cabeça. Sei que vai correr bem! E se não correr, também aprendo com isso.

A mudança que se avizinha

Sim, por aqui preparam-se mudanças radicais na vida. É a minha versão da crise dos 40. Daqui a uns dias eu já conto tudo.

Das esplanadas

Obrigada Deus pela invenção da esplanada.

Não sou muito miúda de cafés. Tenho os meus lugares de estimação onde páro para um café. Nada de mais. Mas há coisas sagradas na vida: esplanada de domingo de manhã. Vazia de preferência. Com vista desafogada. Empregados simpáticos que sabem que chego ainda eles preparam o dia. O ver a ponte. De preferência com sol. É um livro. De preferência como o de hoje onde se descobrem pérolas destas:
"Para as gentes ilustradas, frequentar centros comerciais é quase como ir às meninas. Uma coisa que se faz mas que se esconde."
E pronto. Bom dia mundo!

Viver devagar

Acho que ainda não vos falei da grande conquista dos 40... A tranquilidade. Deixei de sofrer por antecipação. Acho que vivo mais devagar, menos preocupada com o tempo. Provavelmente dando-lhe mais valor.
Hoje é domingo. O dia está lindo. Bom para não fazer nada. Ou talvez fazer coisas simples: sentar numa esplanada, a ler um livro, e a deixar o tempo passar.

Parabéns Miss Anticorpos!


A Miss Anticorpos entrou na minha vida em 2005, na primeira grande viagem da minha vida a um mundo desconhecido. Uma desconhecida que se juntava a uma pandilha de mais ou menos conhecidos rumo à Ásia. E ao Tibete, esse saudoso Tibete.
Hoje que ela faz anos, não há muito a dizer, excepto que continuo a olhar para ela e a ver a pessoa que quero ser daqui a uns anos. Exactamente o mesmo que pensava há uns anos atrás. E a gostar exactamente da mesma forma, ou talvez mais, do que gostei nessa viagem.
Happy birthday Gabe!!

Coisas preciosas

Há coisas preciosas na vida. Família, amigos e saúde encabeçam a minha lista. A minha e a da imensa maioria do mundo, acho eu.
Tenho um amigo que vi 2 vezes na vida: quando o conheci e outra vez uns anos mais tarde. Conheci-o numa obra. Por acaso. Uns dias de trabalho. Uns almoços. Depois voltou ao país dele. Um dia veio a Lisboa. Jantámos no bairro. E mais uma montanha de anos passaram entretanto. Curiosamente, nem sei bem porquê, fomos sempre mantendo o contacto. Com tantos anos entre cada visita, isso poderia acabar por deixar de acontecer. Mas não. O que me deixa muito feliz :)
Ele está cá. No Porto. Por isso, amanhã, vou oferecer-lhe um martelo e vou mostrar-lhe o São João. Já lhe disse que não me viesse com cenas de "eu não posso bater com o martelo nas pessoas". Se o fizer, vai devolvido imediatamente para o quarto do hotel e parto a chave. Mas ele prometeu que não! Que vai ser do Porto por uma noite. Acho que trouxe sapatilhas na mala. Espero que seja um bom caminhante porque vai precisar. E eu, 6 anos depois, tenho a desculpa perfeita para ir ao São João!

Para desligar

Os dias têm sido cheios. Demasiado cheios. O que me tem mantido em forma é uma manta. Demora sempre mais do que se pensa. Mas os quadrados juntam-se. As cores também. E cada dia há um pouco mais.

Um presente triste e um passado feliz

Hoje, pelo pior dos motivos, revi muitos colegas. Muitos não via há anos. Demasiados anos. E ali estávamos todos, num momento muito triste que nos lembra da nossa mortalidade. Mas ali estávamos. Juntos. E apesar de não falarmos do passado, era impossível não pensar num determinado tempo. Numa história comum. Estamos mais velhos, mais cabelos brancos. Mas continuamos a ser nós. E o facto de estarmos todos ali, significa que há coisas que nos moldam para sempre. E há coisas que nunca deixamos de ser. E há gente que nunca esquecemos.

Das coisas simples



Dar um salto ao mercado do bairro.
Visitar a Feira no Jardim da Estrela. Conhecer pessoalmente alguém que se segue no blog há muitos anos.
Debular com um amigo e pôr a vida em dia.
Sentar numa esplanada com gente gira e rir!
Não é preciso muito para ser um sábado bom!

A minha maneira de ajudar

Cheguei ao Nepal no dia a seguir ao terramoto. Coisa estranha, como diria o meu irmão, isto de ir de férias para um lugar que acabou de sofrer um terramoto.
Como vos disse várias vezes, Katmandu não caiu como se depreende das notícias que passavam na altura. Mas não deixa de ser verdade que há muita gente a precisar de ajuda, que há aldeias em muito mau estado, que há casas para reconstruir e gente para ajudar.
O Pedro e o Lourenço estavam em Katmandu no dia do terramoto. E ficaram. A ajudar. E eu sei porque a Rosarinho, a minha anfitriã, anda também naquelas lides, envolvida em entregas de comida e visitas a orfanatos. E eu penso muitas vezes que gostava de lá estar a ajudar. Se calhar uma engenheira civil com mau feito até podia dar jeito no Campo Esperança ou nas Casas Saudade. Mas não estou. Mas posso na mesma dar o meu tempo.
Por isso, passei umas horas desta semana a fazer esta carteira. Grande. Colorida. Feliz. Como todos desejamos que toda a gente no Nepal seja. E vou leiloá-la aqui. Por favor deixem um comentário neste post com a vossa oferta. O valor da oferta mais alta será integralmente enviado pelo vencedor para o projecto Obrigado Portugal. Nós também somos Nepal (mandem-me o comprovativo por favor). Os portes de envio ofereço eu. Até ao dia 10 de Junho (inclusive), passem por aqui. Pode ser??
Espero que gostem! E que vos faça feliz! A carteira e o facto de saberem que vão efectivamente ajudar um povo simpático que tem o azar de viver por cima duma zona onde continentes lutam.

P.S. Não vou publicar os comentários com as ofertas mas irei fazendo actuazações indicando quem está à frente.




Gente que vale ouro


Há uns anos atrás comecei a ler o blog da Carla. O humor mordaz fazia-me bem. Uns mails sobre Moçambique mais tarde, percebemos que um dia nos íamos conhecer ao vivo e a cores. E um dia aconteceu um jantar. Com a Carla e com mais gente gira.
Agora, ela anda por ai, a ver o mundo com os filhotes e a fazer-me uma inveja danada. E passou no Vietname. E eu aproveitei-me indecentemente da simpatia dela e pedi-lhe café. Para mim, o melhor café que já bebi foi no Vietname. E agora, cá em casa! Obrigada Carla!

Hum.... mais um presente para mim mesma

Pequenas vitórias!
Perdi, há uns meses atrás, a minha máquina de bolso. Companheira de muitos km, com uma lente fantástica. Foi-se não sei onde.
Comprei outra em segunda mão. Mas, não me perguntem porquê, não gostei dela. E esteve aí esquecida, fechada numa caixa. Finalmente pu-la à venda. Mas como ainda não sei se isso vai acontecer, achei que estava na hora de lhe dar uso. Precisava de um protector. Que não me apetecia ir comprar. Mas nada que um pedaço de ganga de umas calças rotas e um nadica de paciência (eu não sou de coser coisas pequeninas) não resolvam. E agora, se não a vender, acho que não me importo.

O "meu" Nepal #8

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Até a remoção de escombros pode dar uma foto bonita.

O "meu" Nepal #7

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Sobreviveu. Intacta. Contra tudo o que eu pensaria ao olhar para a parte superior.

O "meu" Nepal #6

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Toda a sorte do mundo. Casaram um ou dois dias depois do terramoto. Que resistam a muitos mais

O "meu" Nepal #5

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Nos primeiros dias, o maior receio eram as réplicas. Dormir dentro de casa era coisa para loucos inconscientes (ou malta com muita sorte alojada numa casa que já tinha dado provas). Pelos parques e espaços abertos, surgiam abrigos improvisados. Umas lonas, umas colchas, uns pedaços de corda e tapetes no chão, proporcionavam o abrigo. De forma calma, ordeira. Como parece ser característica daquele povo.

O "meu" Nepal #4

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Para um geotécnico como eu, esta fotografia diz "nã.... não tenho tanta sorte assim que isto seja um caso de liquefação de areias.... alguma coisa correu apenas mal nos pilares de trás".

O "meu" Nepal #3

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Os sorrisos e as caras da aventura

De vez em quando eu volto


Volto à máquina de costura. Não tem sido comum mas há umas semanas, o meu irmão vira-se para mim e disse: olha lá, não me queres fazer mais uns sacos de tecido para andarem na mala?
Pois, parece que há coisas que correm no sangue e o mano é como eu: não gosta de sacos plásticos nas malas. Roupa suja arruma-se em taleigos. No meu caso, sapatos também.
Pus as mãos ao caminho. Escolhi tecidos africanos porque são resistentes. E, já que estava a cortar, cortei mais uns poucos. E cosi mais uns poucos. Que agora chegaram à loja.

O "meu" Nepal #2

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