Hum.... mais um presente para mim mesma

Pequenas vitórias!
Perdi, há uns meses atrás, a minha máquina de bolso. Companheira de muitos km, com uma lente fantástica. Foi-se não sei onde.
Comprei outra em segunda mão. Mas, não me perguntem porquê, não gostei dela. E esteve aí esquecida, fechada numa caixa. Finalmente pu-la à venda. Mas como ainda não sei se isso vai acontecer, achei que estava na hora de lhe dar uso. Precisava de um protector. Que não me apetecia ir comprar. Mas nada que um pedaço de ganga de umas calças rotas e um nadica de paciência (eu não sou de coser coisas pequeninas) não resolvam. E agora, se não a vender, acho que não me importo.

O "meu" Nepal #8

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Até a remoção de escombros pode dar uma foto bonita.

O "meu" Nepal #7

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Sobreviveu. Intacta. Contra tudo o que eu pensaria ao olhar para a parte superior.

O "meu" Nepal #6

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Toda a sorte do mundo. Casaram um ou dois dias depois do terramoto. Que resistam a muitos mais

O "meu" Nepal #5

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Nos primeiros dias, o maior receio eram as réplicas. Dormir dentro de casa era coisa para loucos inconscientes (ou malta com muita sorte alojada numa casa que já tinha dado provas). Pelos parques e espaços abertos, surgiam abrigos improvisados. Umas lonas, umas colchas, uns pedaços de corda e tapetes no chão, proporcionavam o abrigo. De forma calma, ordeira. Como parece ser característica daquele povo.

O "meu" Nepal #4

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Para um geotécnico como eu, esta fotografia diz "nã.... não tenho tanta sorte assim que isto seja um caso de liquefação de areias.... alguma coisa correu apenas mal nos pilares de trás".

O "meu" Nepal #3

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Os sorrisos e as caras da aventura

De vez em quando eu volto


Volto à máquina de costura. Não tem sido comum mas há umas semanas, o meu irmão vira-se para mim e disse: olha lá, não me queres fazer mais uns sacos de tecido para andarem na mala?
Pois, parece que há coisas que correm no sangue e o mano é como eu: não gosta de sacos plásticos nas malas. Roupa suja arruma-se em taleigos. No meu caso, sapatos também.
Pus as mãos ao caminho. Escolhi tecidos africanos porque são resistentes. E, já que estava a cortar, cortei mais uns poucos. E cosi mais uns poucos. Que agora chegaram à loja.

O "meu" Nepal #2

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O "meu" Nepal #1

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Post mete nojo

Pois.... acabei por não fazer os tão anunciados posts mete nojo. Difícil após um terramoto. Mas tenho fotografias, muitas. O que vi, do que é o "meu" Nepal. Escolhi umas 30 ou 40, nem sei bem, que gostava de vos mostrar. A ordem porque aparecem não interessa. São fragmentos de viagem, apenas.
Vão sair aí como memórias do Nepal ao longo dos próximos dias.

Coisas e cenas

Acordei cedo. Passei uma hora pelos meus blogs de estimação, pelas fotos que os amigos colocaram no face esta semana, passei os olhos pelas gordas dos jornais. 
Esta semana, com tudo o que aconteceu à minha volta, tirou-me do meu mundo normal. Não pensei em blogs, nem na luz de Lisboa, nem nos crafts (excepto quando olhei com ar guloso para os tecidos numa lojinha em  Kitipur mas decidi que não ia perder a cabeça na primeira loja onde metia os pés). Não pensei na minha casa nem no trabalho. 
Mas não vos consigo explicar. Esta hora, hoje de manhã, a circular pelos blogs do costume, a ver fotografias de Lisboa, a passerandar por algumas lojas online portuguesas, senti-me pronta a voltar. Acho que os dias de que tanto precisava fora de tudo aconteceram, limparam-me a cabeça e estou pronta a regressar. Hoje o dia ainda é por aqui (dia de compras que a grande maioria das lojas esteve fechada e por isso esta parte ficou para o final), há mais um pouco desta cidade para ver; amanhã começa o longo regresso com stop-overs indecentemente longos. Domingo à noite já durmo na minha cama e a vida vai voltar aos eixos. 

Nepal #3

Nunca tinha tido umas férias em que pensasse tanta engenharia. É impossível não pensar engenharia quando se vê edifícios caídos ou rachas. É impossível não pensar em liquefação das areias quando algo tomba de uma maneira estranha. Impossível não pensar em travamentos e pórticos quando se vê casas alvenaria resistente de tijolo caídas. E sim, o nosso sentido de humor macabro de engenheiro leva-nos a correr para ver de perto um pilar partido. E casas antigas de pé? Pois, abençoados os prédios novos que as aconchegam. Sim, é mais sensato derrubar de forma controlada uma parede periclitante que deixá-la lá e correr o risco que caia na cabeça de alguém. O tanque estava bom antesdo terramoto e agora perde água? Pois, não me espanta.... Vai ser preciso avivar a fissura e tapar com uma boa argamassa. Coitado do templo mas as estruturas no topo não têm uma grande base de apoio e movimentos horizontais não são coisa para a qual estejam preparadas.
Da próxima vez que alguém me falar em considerar os esforços sísmicos no projecto, acreditem que vou ouvir com muito mais atenção.

Nepal #2

Pois, nesta viagem não há posts mete nojo. Quem me manda chegar cá depois de um terramoto?
Temos andado pela cidade, a conhecer as várias zonas, todos estes dias. Vi os acampamentos de pessoas que, sensatamente, decidiram esperar em espaços abertos que as réplicas terminassem. Se calhar algumas perderam as casas, mas pelo que vi será uma pequena percentagem.
O que levo daqui é muito mais uma memória de resiliência, calma, paciência e civismo. Hoje conseguimos entrar em katmandu durbar square, uma das praças mais importantes. Não vos vou negar que ficou seriamente destruída. Já começou uma remoção de destroços calma e organizada. Não duvido que daqueles destroços ainda sairão mais corpos. Mas as imagens que me ficaram na cabeça são as filas ordenadas de pessoas a retirar madeira, militares a carregar traves de madeira, militares a distribuir água. Uma cidade a recuperar, a abrir lentamente as portas do comércio, a negociar calmamente e a não inflaccionar preços.
Vamos pela rua e ouvimos 'namaste' a cada passo. Entramos nos pátios privados e ninguém nos olha de lado. Olham e dizem 'namaste'.
Somos pessoas com sorte? Não tenho a menor dúvida disso.... Ficámos sem água e sem luz mas entre o gerador e o poço safámo-nos muito bem. Sim, somos afortunados. E todas as noites falamos sobre a cidade e sobre a nossa admiração por este povo.
Nas aldeias já sabemos que a história é pior. Mas não tenho dúvidas que o povo nepalês vai dar a volta por cima.

A outra história do terramoto no Nepal

Sim, estou no Nepal. Estamos no Nepal. O terramoto aconteceu quando estávamos em trânsito na Índia mas, porque as notícias que recebemos de Katmandu logo a seguir não eram catastróficas, decidimos vir.
Não vos vos negar que nos interrogamos constantemente sobre se fizemos bem. Não estão a ser as férias ligeiras que tínhamos pensado. Mas estamos cá, a viver algo único, para o bem e para o mal.
Logo no primeiro dia percebemos que o que estava a passar nos noticiários internacionais devia ser alarmante. As mensagens que todos cá em casa recebem indicam isso. Mas só ontem nos sentámos a ver a CNN e percebemos até que ponto a história que está a ser contada é parcial.

Não estou a conseguir colocar fotos neste post e mostro-vos quando lá chegar, mas vamos lá começar a esclarecer umas coisas. E comecemos pela mais importante: Katmandu está de pé.
E agora uma coisa de cada vez:
eu diria que nem 1% dos edifícios caíram. Efectivamente caíram, total ou parcialmente, vários templos. Infelizmente muitos deles icónicos e património mundial;
algumas casas caíram. Algumas perderam algumas paredes. Houve prédios que tombaram de maneiras estranhas que fazem lembrar a liquefação das areias que se lê nos livros;
muitos mais prédios têm rachas; alguns claramente não aguentam outro sismo mas em muitos deles as fissuras são na ligação entre os panos de alvenaria e as lages e os pilares;
não há água corrente (e é dificil comprar tanques de água) nem luz e isso vai ser preocupante nos próximos dias;
as pessoas estão nos parques e espaços abertos. Estão calmas, pacientes, sem zangas. Quando circulamos de máquina em punho, não nos olham irritados. Ontem vimos uma zona de distribuição de comida: atrás uma linha de pessoas, na mais absoluta calma, esperava tranquilamente;
  as imagens que vos mostram de Katmandu são absolutamente parciais: vocês não têm como saber, mas o que vos mostram são meia dúzia de lugares diferentes, filmados de vários ângulos portanto parecem coisas diferentes. Não vos mostram as ruas funcionais. Rachas na estrada? Há 2 por onde tenhamos passado na cidade toda;
a casa onde eu estou não tem uma única racha.

Não tenho a menor dúvida que os hospitais estão a abarrotar. Não tenho dúvidas que estarão com falta de medicamentos e material médico e médicos e enfermeiros.
Não tenho dúvidas que ficaram pessoas debaixo das casas e dos templos.
Não tenho dúvida nenhuma que a situação nas aldeias é francamente pior. Essa notícia já tinha chegado aqui: que a devastação nas aldeias era muito grande, as casas não aguentaram. E nessas aldeias, algumas delas remotas, o socorro vai demorar. E gente morreu e se calhar continuará a morrer nos próximos dias. E claro que, se uma morte é mau, as cerca de 4000 de que se fala agora é uma catástrofe.

Mas o que vocês vêm nas notícias, sobretudo em Katmandu, é apenas a parte má da história. É apenas a tragédia que vende jornais e telejornais. Ontem, havia muito mais gente nas ruas a circular. A pé, de mota, de carro. Algumas lojas começaram a abrir e começava a sentir-se a vida a  regressar à normalidade.

Foi um terramoto terrível. Mas o país não está nem de perto nem de longe no estado em que vocês estão a ver. Dêem-me o crédito de estar cá e estar a ver Katmandu com os meus olhos.

O apelo da terra

A terra

Sou miúda de cidade com raízes na aldeia. Muitas raízes. Parece que cada vez mais.
Ver terra abandonada custa-me um nadica mais cada dia. Ver silvas a crescer, doi-me.
Por isso mesmo.... Pedi uma poça de terra emprestada à minha comadre. Vou pagar para a limparem. Vou arranjar quem lá vá com um tractor lavrá-la. Provavelmente vou ter de pagar a alguém para ir semear milho. E cheira-me que vai ser a minha mãe a regá-lo. Pois, eu fico com a parte fácil, ter ideias. Mas neste momento, isso parece-me importante.

Coisas tristes que não deviam ser precisas

Estou a trabalhar numa nota técnica para uma obra em África. Nada de novo debaixo do sol, portanto.
O que é novo é que tenho de escrever sobre, entre outras coisas tristes, medidas a implementar para evitar tráfico de seres humanos.
E estou triste. Muito triste. Não sei se mais triste que irritada.

Dos amigos


A minha vida está cheia de memórias de amigos.
Hoje fui buscar a minha mala de primeiros socorros para tirar um penso rápido. E quando olhei para a mala, lembrei-me de quando ma ofereceram, do amigo que ma deu e das palavras que me disse. "Isto é um presente para pessoas especiais". Os anos passaram mas as palavras e o significado ficou. A gratidão pela amizade que, entre outras coisas, me manteve sã nos anos de Angola também.
Bem hajas amigo!

Para o mano mais fixe do mundo

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Isto de ter o melhor mano do mundo não é só receber presentes e atenção. De vez em quando, muito de vez em quando, o mano pede alguma coisa. 
Ele é como eu.... Viver da mala não o assusta. E tal como eu, ach que sacos plásticos na mala para guardar os sapatos e a roupa suja, é mau. Por isso, rendeu-se a uma coisa "de velhinhas": taleigos. E os reforços para os que já tinham, estão a caminho. 

Projectos para hoje

upload Tinha planos para hoje. Saíram furados.
Fiz planos novos.