A responsabilidade individual

Eu, por princípio, não sou fã de subsídios, subvenções e outras afins. E concordo que sejam dadas em condições extremas ou quando é do interesse estratégico do país que algo aconteça e se mantenha, mas ainda assim, acho que devem ser dadas provas de empenho e esforço e resultados.

Dito isto, percebem porque é que eu tive um brutal ataque de riso quando ouvi o Bagão Felix dizer que o estado devia devolver às pessoas o dinheiro que pagaram a mais com o aumento das taxas de juro no último ano. É que esse aumento não é culpa do governo. Nós podemos querer ignorar mas sabemos bem, quando compramos casa, que as taxas de juro são variáveis, sabemos que a previsão que nos apresentam é baseada no valor Euribor naquele dia. Todos sabemos que as taxas de esforço não devem ultrapassar um limite do rendimento disponível. Toda a ente sabe isso mas finge que não sabe. E agora o governo, ou melhor, todos os outros têm de ir pagar por isso? Claro que a minha prestação subiu mas eu não culpo o governo por isso. E se as poupanças dos portugueses andam pelas horas da amargura, isso deve-se em muito a uma enorme série de gastos a que nos habituámos nos últimos anos e que estão longe de ser essenciais. Em casa dos meus pais, almoçar fora era em dias de festa. E continua a ser. E assim eles conseguiram pagar a casa e pôr 2 filhos na Universidade. Mas é preciso esforço para o conseguir. Não subsídios. Se há alguma coisa em que se devia gastar dinheiro era em ensinar às pessoas a poupar, explicar-lhes que há muitas coisas que não são essenciais, e que se vão atrás dessas, então outras vão forçosamente ficar para trás. E muitas das pessoas que hoje estão à rasca, provavelmente começaram por comprar uma casa que já na altura era demasiado cara para eles. Por isso meus amigos, a minha opinião é que devemos aprender alguma humildade e economia com esta crise. E nao estar à espera, mais uma vez, que a solução caia dos céus.

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