As saudades do silêncio

Sim, tenho saudades do tempo em que a Manuela Ferreira Leite estava calada. Paulo Portas e Santana Lopes, voltem! Estão perdoados!
Eu não acho que as barbaridades que ela tem dito sejam gafes. O mau gosto dos comentários sobre o casamento gay ("o casamento é para procriar"), sobre o desemprego em Cabo Verde (e se isso for verdade é porque os portugueses já se acham demasiado importantes para serem serventes), o salário mínimo nacional (se está acordado, o Primeiro-Ministro tem mais é que anunciar, para acalmar o país, que vai fazer cumprir os acordos) e agora a conversa da ditadura. Eu acredito que a ditadura não tem de ser universal (aliás, um chefe meu dizia e com razão que uma empresa é, no mínimo, uma "democracia musculada") e acho que todos os governantes, por mais que não o assumam, gostariam de eventualmente pôr a democracia em standby por uns dias. Eu percebo, juro que sim! Mas também acho que as pessoas têm de ser responsáveis pelo que dizem, os governantes devem pensar no que dizem e se o dizem, assumam, não me venham com teorias de ironia.
Eu já ouvi na rádio a bela da frase e não detectei numa entoação irónica. Acho que ela acredita. E tem todo o direito de acreditar no que quiser. E eu tenho todo o direito de achar que se ela pensa nisso, eu realmente não a quero a governar o país. Não pelo que pensa, mas sim por não pensar antes de falar.

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