Duas semanas depois...

... se calhar já me autorizo a dizer o que me vai na alma sobre Luanda.
É uma cidade estranha. Uma cidade de ruas largas mas com os passeios cheios de obstáculos. Ele há buracos, água suja que corre, carros, motas, vendedoras.
As histórias de assaltos e polícias que pedem gasosas não me deixam sentir relaxada mas também me recuso a viver no medo e portanto avanço e seja o que Deus quiser.
Come-se sempre comida portuguesa. Comida angolana nos restaurantes só à sexta-feira. Mas eu cá sou uma miúda de sorte e já fui presenteada com feijão com óleo de palma, banana e peixe frito!
Existe um shopping do mais ocidental, onde até me parece estranho entrar ao fim-de-semana de tão pouco que tem a ver com tudo o resto que me rodeia. Parece que a cidade flutua constantemente entre África e a Europa, o ancestral e as novas tecnologias, sempre num equilíbrio a que ainda não me habituei.
E Luanda é uma cidade barulhenta que raramente se cala até de noite. Na sexta-feira, enquanto jantava num comdomínio de Luanda Sul, dei por mim a sair da sala e a vir para o jardim para apreciar o silêncio e o vento nas folhas da bananeira.
É uma cidade cara (mesmo comprado pela empregada, um ananás são 400 ou 500 kwz) mas os musseques estão aí em várias esquinas. Constroem-se condomínios de luxo mas depois faltam peças para os geradores.
Não gosto nem desgosto. Simplesmente ainda estranho.

3 comentários:

Tobias disse...

Ainda se está a entranhar.... Vais ver que é como a comida japonesa... Primeiro estranha-se, depois entranha-se! ;)
Beijos! Fica bem.

Samsara disse...

Que bela descrição amiga, deu para sentir...

Beijinhos

Carlos Albuquerque disse...

Deixo-lhe um retrato de Luanda, tirado na última vez que lá estive. Para vê-lo vá aqui:http://petrinus.com.sapo.pt/coutada.htm
Um abraço