Safari #4

Menongue. Kuvango. Matala. Lubango.
350 km de picada! Pó por todos os poros, muitos saltos, cabelos a ficar tão secos que se podia fazer um qualquer penteado punk sem aditivos.
Dos dois lados da picada, a savana. Feita de árvores que sobem com um tronco estreito com o único propósito de, lá em cima, se abrirem em triângulo e formar lá em cima um plano que capte o máximo de luz possível. Pelo chão, o capim. Nunca muito alto porque as queimadas são uma constante. Avançam devagar e vão chamuscando os troncos mas, sobretudo, vão mantendo o chão transitável. E as árvores reagem e as folhinhas verdes saem dos troncos negros e a vida continua.
A savana tem barulho. Um incessante ruído de insectos. O único ruído que faltou foi um rugido a sério. Nós desconfiamos que os leões e os elefantes são muito espertos e se escondiam atrás dos troncos de árvores a espiar-nos. Ou talvez não. Só sei que não os vi.
Depois da savana, a estepe. Arbustos mais baixos, mais afastados. O horiznte passa a estar lá longe. O espaço não acaba. E a picada segue sempre, passando por aldeias e aldeolas, onde os olhos ainda se viram quando os carros passam (se calhar só para nos rogar pragas pelo pó que nos seguia).
Almoço tardio no Kuvango. Mas uma vez a arquitectura colonial em destaque. Não que eu seja pró-colonialista, mas lá que deixámos umas casas muito giras e cidades bem desenhadas, isso deixámos.
Quando chegámos ao Lubango, um jantar demorado de quem já o merece, um banho com água cheia de pressão, e o sono dos justos num resort simpático.

3 comentários:

Carlos Albuquerque disse...

Pois é!
Com que então leões e elefantes escondidos...Nem pense! Essa bicharada não se esconde. Uma vez apanhei um susto com um leão de juba preta (daqueles machos atrevidos) que ainda hoje tremo quando me lembro!
Olhos a verem passar talvez protestando contra o pó...Não creio.
Tais olhos, sobretudo os olhitos, o que gostavam de dizer, se falassem, é "também quero ir".
Um banho com água à pressão e descanso num resort! No meu tempo, aí por essas terras, era numa tenda enfiado num colchão cama!
Grande sortuda!
Um abraço e um BJ

Marta Mourão disse...

Isso é que é viajar até à África profunda!
Resort no Lubango?

MauFeitio disse...

Pois Carlos, um encontro privativo cara a cara com um leão não pode ser coisa boa! Eu só queria mesmo vê-los passar a caminhar pela savana. Mas posso adiantar (falta escrever sobre o último trajecto) que vi macacos. E que os danadinhos de tímidos realmente não têm nada: ficaram no cimo do talude a mandar pedras.
Marta, há vários hoteis e resorts no Lubango. E a cidade está muito limpa e arranjada e é mesmo muito acolhedora. Recomenda-se!