Há muito tempo que não lia um livro assim tão delicioso!

Mas a grande pergunta a fazer é, evidentemente:
Quando amamos alguém, ou melhor, nos apaixonamos por alguém, por que é que nos apaixonamos verdadeiramente?
É uma ideia da pessoa amada, ou é a pessoa propriamente?
Talvez só sejamos capazes de viver com as nossas ideias. Talvez sejam as nossas ideias que amamos.

(...)

Quando finalmente o divórcio foi decidido e Margareth começou a pensar em arranjar um apartamento em Västerås, aconteceu um coisa curiosa. Demos uma volta à casa, vendo tudo, mexendo nas coisas, os livros que eram dela, os que eram meus, onde tinha ela comprado aquele, se havia ou não de levar o armário velho com portas de ripinhas.
Estávamos os dois de excelente humor, quase alegres. Brincámos e conversámos como já não fazíamos há mais de dois anos, sentíamos os dois um certo alívio e estávamos surpreendidos por cada um de nós se ter tornado tão real para o outro.
Já não precisávamos de nos relacionar como ideias.


Lars Gustafsson. A morte de um apicultor

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