Amigos - parte 1

Uma das coisas em que pensei muito quando cá cheguei foi nos amigos. Nos que deixei e nos que cá fiz. Espantava-me a facilidade com que se conhecia nova gente, com que se encetavam conversas.
Claro que, com o tempo, poucas dessas pessoas se tornaram amigos. Algumas ficaram bons conhecidos. Outras nem isso. Não faz mal.
Agora que um ciclo começa a encerrar e porque de alguma forma tenho andado a fazer um apanhado destes 3 anos, o tema amigos e pessoas tem-me voltado muito à cabeça. E percebi que cá tenho 4 tipos de amigos. Vamos por partes. Este é o post sobre grandes amigos feitos cá. Amigos para a vida toda que cá ganhei.
De todos os que fiz, acho que ganhei dois nesta categoria dos muito especiais. Um estava cá, outro vinha de vez em quando.
O que cá estava tornou-se, ao longo destes anos, o melhor amigo que tinha por estas bandas. Dávamos-nos bem, chegámos ao mesmo tempo, e portanto a leitura que fazíamos de Angola ia evoluindo mais ou menos em simultâneo. Passámos pelas mesmas fases de espanto, curiosidade, vontade de ver e conhecer, assumir da nova normalidade e a posterior vontade de arrancar cabelos. Falámos sobre ficar o estrangeiro uns anos quando regressávamos de férias e de um país desanimado. Desistimos porque sim, e porque isto da vida de expatriado é mais difícil do que parece.
É uma amizade para a vida, cimentada em 3 anos de Angola. Podemos viver muitas coisas diferentes mas estes anos deixaram marcas e fizeram-os crescer.
Já regressou a casa. Não vai voltar a haver conversas ao fim da tarde, numa varanda, com um gin tónico na mão. A vida vai seguramente levar-nos por caminhos que não vão deixar tempo para tantas horas de conversa. Mas estes 3 anos vão ficar para o resto da vida e acho que vão manter essa amizade por muitos e longos anos.

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