Já sei que vou levar porrada aqui mas ando com esta entalada na garganta

Não ouvi as declarações do Isabel Jonet. Mas o que me chegou aos ouvidos foi uma frase "temos de reaprender a viver mais pobres". E, podem começar a atirar pedras, mas eu concordo com ela! O país inteiro tem de aprender a viver com menos! Temos de nos deixar dos luxos dos restaurantes e dos macdonalds para a família toda ao fim-de-semana, temos de nos deixar de créditos pessoais para comprar telemóveis de 500 euros a que o meu irmão assistiu imensas vezes! Isto também se aplica a mim que vou regressar para um salário a que hoje não estou habituada e que provavelmente é mais baixo do que quando vim para Angola porque hoje há mais impostos. E há pequenos luxos a que hoje não me vou poder dar e não tenho problema nenhum com isto. É assim! A grande lição desta crise, para mim, é que andámos a gastar a mais e a produzir a menos. E acho muito bem que alguém diga isso!

 P.S. Não vou estar aí a tempo da campanha do BA. Mas se alguém dos que conheço tiver intenção de participar que me avise e eu trasfiro dinheiro para a conta dessa pessoa para comprar produtos alimentares em meu nome.

13 comentários:

Rosário disse...

Búúúúúú
Olha pra mim a atirar-te pedras!!!
Tu ainda tens desculpa, que andas pelas Áfricas... mas por aqui? Por que ruas te passeias tu quando cá vens de férias?
Olha que o país não é só a malta que entope o cartão de crédito, nem se endivida com viagens. Isso se calhar é o anda à nossa (tua e minha) volta, mas esse não é (só) Portugal.
E digo-te que não sei se o BA não vai ressentir-se grandemente com o que disse esta senhora. Quem se lixa, será mais uma vez o mexilhão.

Carla R. disse...

Eu ouvi as declarações de Isabel Jonet, o que me choca não é o que referes. O que me choca é ela ter falado da situação de pessoas que estão com problemas financeiros, como sendo irreversivel, como se tivessem que se habituar a ser pobres, porque na actual conjuntura nunca irião encontrar emprego. Percebes ? Prefiro a reacção da Ferreira Leite (de quem não costumo gostar, mas que em comparação às declarações de Isabel Jonet, até não esteve assim tão mal) que afirmou que ninguém se deve ver em situação de emergência e carência para sempre, que deve considerar esta situação como temporaria, o estado deve ajudar, o Banco Alimentar também, mas o objectivo é que se saia da pobreza.
Que haja esperança e vontade de melhorar a condição de vida. Que não se aceite uma condição miseravel para sempre. Acho que se conseguires ver as declarações vais perceber.
Em relação ao trabalho do Banco Alimentar em si, acho que ninguém tem nada contra e acredito que se vai continuar a apoiar esta iniciativa.

MauFeitio disse...

Claro que eu eu não acho que as pessoas devem ser pobres para sempre. Devem ser ajudadas enquanto precisam e devem batalhar para melhorar a vida! Acredito num estado social que proteja quem precisa. Mas também acredito muito no esforço de cada um e por isso acho que as pessoas não se devem acomodar à pobreza. Mas também não podem esperar que a solução caia do céu!

MauFeitio disse...

P.S. Obrigada Alex por fazeres em meu nome as compras para o Ba!

Carla R. disse...

Vê as declarações, é melhor julgares por ti mesma, encontrei as declarações aqui , por exemplo :

http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.fr/2012/11/na-noite-em-que-isabel-jonet.html

(em relação aos excessos no consumo, acredito que sejam uma minoria actualmente, principalmente no que toca às classes menos favorecidas. Quando se ganha o salario minimo, não ha muito por onde se fazer ou cortar).

MauFeitio disse...

Estive a ouvir e a minha opinião não mudou.... Eu conheço pessoas com rendas em atraso mas que continuam a fumar loucamente, a ter cães e gatos alimentados a rações e os filhos lancham pacotes de Oreos. E acho que é exactamente a estas que o discurso se referia...

Carla R. disse...

Também conheço quem não sabe organizar as suas finanças pessoais e que gastam em superfluo e depois não têem o essencial. Ninguém vai dizer que estão a fazer bem as coisas.
Mas existe quem não tem dinheiro mesmo, que faça tudo certinho, que trabalho duro e mesmo assim precisa de ajuda e respeito e acho que uma presidente do BA devia estar mais preocupada com estas pessoas. E em respeita-las.
Depois ha a questão do Estado Social em que se deve distinguir entre as questões de urgência, que devem ser atendidas e as questões de manutenção que devem ser continuadas, porque se se tira os diretos à classe média, vai passar a haver mais classe pobre, logo, mais situações de pobreza e de urgência. E a situação vai ser insustentavel.
Quanto ao vizinho que comete loucuras financeiras, isso é um detalhe, que mais cedo ou mais tarde, vai ser resolvido, ninguém aguenta muito tempo uma situação de insanidade assim.

MauFeitio disse...

Concordo plenamente contigo! E por uns que fazem mal, os outros levam por tabela desnecessariamente.

calita disse...

O problema do discurso do "Temos de viver com menos" é que para uns significa viver bem ainda assim e para outros miseravelmente. É por isso que as pessoas que nunca que tiveram de viver com muito pouco, ou nada, deveriam estar caladinhas. Deveriam guardar aquilo que pensam para elas e continuar a comer os bifes que acham que podem, ou devem comer.
Este discurso enoja-me. Parece que andam todos a dizer que os pobres têm de ganhar juízo e voltar para os bairros sociais, ou para as aldeias de onde nunca deveriam ter sido.
Que venham dizer que é preciso mudar as regras da economia e explicar como é que cada um de nós pode ajudar o país a sair deste fosse, agora este discurso já chega. Já mete nojo.

P.S E eu também não vou deixar de contribuir para o BA, por causa disso. Sei distinguir as coisas.

MauFeitio disse...

Eu bem sabia que ia levar porrada. Mas continuo na minha. E vocês têm todo o direito de dizer o que pensam. E agora, mais uma acha: não acredito em greves. E acho que a de hoje não ajuda nada o país.

Mas ontem chegou um colega de Portugal que me disse uma coisa que me fez pensar: Nós em Angola não nos apercebemos, mas em Portugal anda mesmo tudo com os nervos à flor da pele e há coisas que não se podem falar.
Ok, eu calo-me.

calita disse...

Agora reli o comentário e, além das gralhas, parece que te estou a atacar e não é nada disso. Eu refiro-me aos discursos de pessoas como a Jonet.
De resto, cada qual, tem direito a pensar o que bem entender, claro. E a dizer o que pensa também (menos os ricos que se acham no direito de mandar recados aos pobres :) )

MauFeitio disse...

:) como se diz por aqui calita, "sem maka" :)

Naná disse...

Neste ponto, acho que apenas discordamos em alguns pontos, eu alinho mais no pensamento da Calita!