Ai caraças que eu começo a render-me

Quando regressei jurei que não me ia deixar afectar pela crise. Não ia deixar que me desanimasse. Ia fazer as adaptações necessárias mas não me ia queixar e não ia chorar e não ia escrever posts a dizer mal do governo e demais políticos.
Não fazer posts a dizer mal dos políticos tem sido difícil. Sobretudo pela falta de coerência e falta de memória que todos os dias se vê. Mas hoje vou render-me. E vou falar mal.
Os meus pais moram a 400 km de lisboa. Para cá chegar, metade é autoestrada, metade estradas normais. Vir de carro, entre portagens e gasolinas, é uma pequena fortuna. Por isso comecei a vir de comboio. O meu irmão tem de perder uma hora para me ir buscar e levar mas ainda assim, o global, é para aí metade do preço. Ou menos. E como eu prefiro gastar o dinheiro em coisas que não sejam gasolina e portagens, vale a pena.
Ou valia. Até os idiotas da CP entrarem na minha vida. Até transformarem regularmente as viagens em passeios lentos pelas traseiras do país, em torturas que demoram uma ou duas horas a mais que o previsto, em viagens medonhas que começo a odiar fazer. E nem sequer é uma alfa. Os bancos são piores, com menos espaço. A comida acaba cedo no bar, sobretudo quando aquilo avança a passo de caracol. E não há viagem daquelas que não consiga pôr-me de mau humor. Que não me faça rogar pragas. Não fosse ser para ver os meus pais, ia respirar muito menos vezes o ar da minha aldeia. Porque uns me estorquem dinheiro. E os outros não sabem gerir comboios.
E pronto. Já me queixei.
Desculpem.

1 comentário:

José Oliveira disse...

Pois é minha amiga! Essa foi a estratégia que alguém usou no seu tempo para justificar as autoestradas. Agora é para fazer o pessoal regressar as mesmas. Eu como também sou do interior, também nunca percebia porque diabo os horários eram tão mal escolhidos, pareciam feitos de propósito para afastar as pessoas, que incompetentes pensava eu. Mas acho que a questão não era antes, tal como não é hoje uma questão de incompetência. A incompetência é nossa por não perceber que nos estão a fazer isso com o objectivo de desacreditar os serviços que gerem e que naturalmente serão muito melhor geridos por mãos privadas, diremos todos ao fim de algum tempo.!
E Já agora continua a reclamar, não nos resta muito mais! JMO