O meu bairro

O mercado
Do mercado Vizinhos 
Não o tenho explorado muito. Mas não tem o brilho de Arroios. As casas estão menos recuperadas. As fachadas têm um ar manhoso. Muitas das lojas têm um ar de loja chinesa mal amanhada disfarçada. Mas também há umas pérolas. E até acho que são as pessoas.
Decidi ir ao Mercado. Pequenino. A cheirar a limpo. Com legumes e peixe com ar fresquinho e delicioso. Os vendedores dizem "bom dia" com um sorriso, não seguido do costumeiro "oh menina, então que vai ser?". Não, é só um bom dia e um sorriso. Vim de lá com laranjas e anonas escolhidas com cuidado por quem sabe.
Passei pela farmácia. Não havia o que eu precisava. Fecham à 1. "Mas se quiser menina, posso deixar numa loja aqui na rua. Na florista, pode ser? Qual delas? A primeira, a seguir aos pássaros. Ah, na Ana? Sim, claro que sim! Ela é uma querida, não é?" E fiquei a saber o nome da florista onde passo todos os sábados para comprar as flores cá para casa.
E fui tomar café… perceber onde se toma café aqui à volta. E descobri um café para aí dos anos 80, com empregados que sempre lá trabalharam. Um daqueles lugares que nós os do Norte juramos que não existem em Lisboa: um lugar onde os clientes entram e os empregados se dirigem à máquina de café e pousam a chávena no balcão em frente ao cliente e dizem "uma bica curta"; o outro empregado pegou no saco de papel e nas pinças de pão e perguntou "quantos são?".
Tenho uma retrosaria. Estava fechada. Mas lá dentro as caixas de botões parecem rebuçados.
Acho que entre o bairro e a casa, estou mesmo bem entregue!

2 comentários:

Enjoy the Ride disse...

passei grande parte da minha infância em Alcântara com a minha Avó. os almoços eram em casa dela (bifes com batatas fritas ou bacalhau guisado, que eu insistia em pedir) ou na Tanite, experimenta.

Helena disse...

:)