2013 em palavras

Passei o ano a dizer que 2013 estava a ser duro. E foi. Muito.
Mudanças de cidade, mudanças de casa, mudanças de empresa. Objectivos que pareciam impossíveis de atingir e que duvidei muitas vezes se lá conseguia chegar, gente para conhecer e coordenar e transformar num grupo giro e coeso, regras novas de funcionamento e pensamento. Um ano de um cansaço permanente em que toda a energia tinha de ser cuidadosamente preservada para no dia seguinte sair da cama e avançar. Um ano em que tive muitas vezes saudades de Angola, dos amigos que lá fiz, da família, das pessoas com quem vivi e trabalhei. Saudades das road trip a ouvir música dos 80 e saudades dos pôr-do-sol. Saudades das jantaradas e das festas na Casa da Ilha e dos gin do Trinca. Saudades da gargalhada fácil que hoje parece tão rara em Portugal.
Mas também foi o ano em que percebi que há cedências que não podemos fazer. Não posso ceder naquilo que sou. Não posso abdicar dos sonhos nem dos projectos. Não posso ter medo da ripada que pode ou não vir a caminho. Aprendi que é melhor falar e dizer o que penso e quero e me vai na alma do que ficar à espera que alguém adivinhe. Avançar. Lançar o barro à parede. Colou? Fixe! Não colou? Temos pena.
Foi o ano em que tive pouco tempo para os amigos. Mas também foi o ano em que eles foram preciosos! Foi o ano em que vi amigas apaixonarem-se e os respectivos passaram depressa de anexos a amigos de pleno direito. Foi o ano em que as memórias que vou guardar são de gargalhadas e sorrisos preciosos, abraços vitoriosos, almoços infindáveis, lugares novos que se tornaram a minha casa. A minha casa, a de hoje, onde adoro viver. A anterior já esqueci.
2013 foi tramado porque só no final do ano é que as coisas encaixaram e começaram a acontecer como eu queria. Foi preciso esperar. Mas finalmente consegui começar a esticar as asas para voar. Consegui começar a construir uma nova teia de amigos, a que se juntam os que estiveram longe muito tempo e agora estão mais perto. E mais amigos, espero eu, vão continuar a aparecer. Alguns ficaram mais longe. Por um motivo ou por outro. Mas depois deste ano, acredito que a vida há-de corrigir isso e o mundo é pequeno e vamos cruzar-nos de novo.
Foi duro. Mas no final, bateu tudo certo. E o final do ano augura um bom 2014. E mesmo que não agourasse, a pergunta só podia ser uma :'quantos são? Quantos são?'
E sim, foi duro. Ms vejo agora que foi bom! E as minhas asas vão continuar a abrir que o mundo é grande e há muito céu para voar!

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