Os dias por aqui e as saudades que tenho de Lisboa. Ou "raisparta que é preciso vir a Angola para assumires isso"

Estava curiosa sobre o que ira sentir quando passasse de novo uns dias em Angola.... 3,5 anos deixam mossa e marcas e muita coisa muda em nós.
Os dias foram passando. E eu percebi que me sinto num lugar que conheço, que me é familiar, onde conheço as regras, os comportamentos. Lembro-me das ementas dos meus lugares favoritos e finalizo os pedidos com um " ya?". Os sorrisos dos amigos não mudaram. A disponibilidade para as pessoas, neste caso para mim, não mudou. Lembro-me dos sonhos e pergunto-me se voltariam a existir se para cá voltasse.
Mas já não é o lugar onde moro. Conhecido, confortável e familiar, sim. Casa já não é. E apesar de tudo isto ser tão fácil, dou por mim com saudades da minha casa, do Afonso Meireles, dos passeios ao longo do Rio, das noitadas de conversa com os amigos no meu sofá. A minha bebida agora é um bom vinho e não um gin tónico com tanto gin que me arrepio no primeiro gole.
Acho que foi preciso vir a Angola para admitir que agora Moro em Lisboa. O que me leva a reforçar a convicção que fui feliz aqui porque decidi que ia morar em Luanda. Cada vez mais acho que isso faz toda a diferença. E sim, já sei, para quem tem família lá é difícil dizer isso. Mas também acho que se não aceitarmos onde estamos a cada instante, o tempo passa em vão.
Por isso sim, aqui vai: eu agora moro em Lisboa. É melhor calar-me com "o Porto é a cidade que escolhi mas agora não posso lá morar". É preferível "sim, tenho uns investimentos no Porto mas moro em Lisboa". É portanto tempo de reforçar amizades, passear mais pelos bairros que conheço pior, marcar mais jantares e, quando chegar a casa, analisar o stock de aguardente velha e de vinho e de coca-cola e de sumo laranja para ter disponível o que cada um dos convivas preferir.
E se a malta do Porto estiver a ler, não fiquem tristes comigo. Passei a moura mas é apenas porque quero ser feliz com a realidade que está ao meu alcance. Os de Angola.... sim, eu sei que adorariam que eu regressasse. Mas provavelmente estaremos um dia destes a morar na mesma cidade. Algures no mundo.