Coisas que me enchem de orgulho

Comecemos pelo princípio.... Eu não tenho filhos. Não sou uma pessoa com jeito particular para crianças. Mas algumas características boas devo ter porque duas vezes na vida recebi chamadas que me encheram de orgulho.
A primeira foi há oito anos atrás. Estava eu perto de Barcelona, a olhar para uns vestidos numa montra e o telefone tocou.
- Hey amiga, estou grávida! 
- Jura! que fixe! 
- Mas há mais.... queria que tu fosses a madrinha!
- Eu? Mas porquê? Isso não é para tios e primos e família chegada?
- Esta é a nossa maneira de te dizermos que és família!
A segunda chegou uns anos mais tarde.
- Hey prima! Olha, estivemos a pensar.... queremos que tu e o teu irmão sejam os padrinhos da pequenota que vem a caminho!
- A sério? Done!
O meu compromisso principal com os pais e as crianças é que, se for preciso, tomo conta delas. Delas e dos irmãos. E que, na medida do possível, ajudo a criá-los para serem gente boa.
Não passo muito tempo com eles. O mundo é grande e moravam todos longe.
Mas agora, o R e a família moram aqui ao lado. E de vez em quando, ligo para a mãe e pergunto Olha lá, posso raptar as crianças umas horas? E lá vou eu, com o carro cheio de cadeirinhas (e acreditem... o meu carro não é a coisa ideal para cadeirinhas), a pensar como é que os vou conseguir não perder de vista ou evitar fitas. Tenho sorte... os pequenotes sabem que eu sou assim a dar para o duro com eles. Adoro-os mas parvoíces não aturo. Se calhar porque passo pouco tempo com eles tenho paciência para dizer não e arcar com consequências. Consegui. Fomos ao jardim, brincaram, não foi preciso aplicar técnicas de primeiros socorros a ninguém. Fizemos o almoço e não ficou tomate nem rúcula por comer. Os jogos foram arrumados quando foi hora de ir embora. Eles estão vivos. Eu também. Pronta para o próximo round!

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