Duas semanas. Uma mala

Pronto. Voltemos às malas. Às odiadas malas. Aquelas a que por mais que viaje, nunca me habituo. Hoje já há malas fáceis. Angola é fácil. Já conheço as empregadas das casas e sei que vai haver sempre roupa lavada. Agora vou à Mauritânia. Já complica. Primeiro é um país árabe. Logo evitem-se saias, mangas curtas. Levo um vestido que me vai até aos pés. Não sei onde vou ficar. Não conheço as empregadas. Mas na semana passada, alguém tinha uma camisa com um botão semi-derretido... Melhor levar roupa a mais. Não sei como são as casas. Não sei se a malta já instalou televisão por satélite. Ok, então vão as meias que estão nas agulhas, mais um novelo novo que a minha comadre escolheu, mais uns restos que pode ser que comece umas pãra mim às cores. Melhor levar uns novelo de linha de crochet que 15 dias a fazer meia à noite não me parece. 2 caixas de nespresso. É sempre um presente valorizado. Colares. Botas cor-de-rosa e uns sapatos de salto. Uma mulher tem de continuar a ser mulher mesmo quando a mala está cheia de calças de ganga e camisas brancas. Umas colunas portáteis. O disco externo com filmes. O caderno de encargos da obra já impresso. Um copo para andar com o meu chá. Não era má ideia levar umas caixas de barritas. A Nina. Uma a lente extra. Desta vez vou fotografar o gel no cabelo do piolho no pêlo do camelo. O meu melhor sorriso. A usar com extrema contenção e apenas para a Fiscalização. Mon mieux français. A certeza que mesmo só com um sms de vezem quando vou ter a pior conta de roaming da minha vida. Um lenço grande. Não, não me rendo à religião. Mas pode dar jeito no deserto.

2 comentários:

tasjaber disse...

Muito bem! Boa viagem!

Isilda disse...

...e que comece a viagem pois apetrechada já estás:-)
Bom trabalho e bons momentos de grandes descobertas com a Nina.
Beijinho