Admirável mundo novo ou devolvam-me a caneta e o papel

Há frases dos meus primeiros anos de trabalho que me lembro com muita clareza. E uma delas, que hoje me veio muito à cabeça é as obras não se fazem no computador. Fazem-se na obra ao pontapé. Se calhar não era bem assim mas quem sabe de onde venho percebe perfeitamente!
E hoje tive saudades desse tempo. Hoje senti-me obsoleta! Estive numa formação sobre uma.... Metodologia ou filosofia ou nem sei bem que lhe chamar que assenta em programas e tecnologias. Está tudo lá... Sobre cada pedacinho da obra, à distância de um clique, estão os desenhos de projecto, as telas finais, como foi o processo de compra da peça, em que dia foi instalada, o manual de instruções final, os resultados das inspeções e ensaios. iPads, varrimentos laser, integração com a metereologia, com o impacto ambiental, com as verificações de segurança. E no final, a obra fica a parecer um jogo de computador, não uma obra. É tão fácil esquecer que continua a ser preciso quem monte ferro e cofragem. Quem betone. Continua a haver máquinas e mau tempo. Imprevistos. Ia dizer palavrões e gritos mas, por aqui, estou para descobrir se isso existe. Se calhar não.
Senti-me obsoleta. Com uma imensa vontade de calçar umas botas e ir dar uma volta a uma obra, só pelo gozo de caminhar na lama e cheirar gases de combustão de um compressor manhoso com manutenção atrasada.

1 comentário:

Isilda disse...

Nem que seja por um só dia, pega mas é na caneta e no papel e esquece o admirável mundo novo!
Beijinho