Coisas que me tiram do sério

Fui educada a achar e a saber que conquistarei aquilo pelo que trabalhar. Acredito piamente nisso. Acredito também que tive a sorte de ser minimamente inteligente e acabar por ter trabalhos razoavelmente bem remunerados. O suficiente para viver como quero viver. Mas por ter essa sorte, também acho que devo apoiar aqueles que são menos afortunados. E nunca ninguém me viu a reclamar dos impostos que pago. Posso reclamar da forma como são usados, mas isso é outra conversa. 
Mas quando ouço políticos dizer que é preciso perder o medo ou ter a coragem sentir buscar o dinheiro onde está a ser acumulado, salta-me a tampa. Se a malta acumula dinheiro ilegalmente, investiguem-nos; se exploram os trabalhadores, investiguem-nos. Mas se são competentes e se com isso ganham dinheiro, deixem-se de fitas e sigam-lhes o exemplo. A imagem e a mensagem que os políticos e governantes portugueses andam a passar de que ir buscar dinheiro aos outros apenas porque eles têm (sejam novos impostos altamente direccionados ou dizer que não devemos pagar o dinheiro do resgate) parece-me um profundo retrocesso é altamente perigoso. 
E assim uma notícia de jornal consegue irritar-me profundamente no meu belo domingo de manhã. 

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